Governo já deveria ter fechado fronteiras e restringido voos, critica Maia

DANIELLE BRANT
BRASÍLIA, DF, 17.03.2020 – CONGRESSO-DF: O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comanda reunião de líderes, em que vários deputados compareceram utilizando máscaras cirúrgicas. Tanto os plenários da câmara quanto do senado tiveram pouca circulação de parlamentares nesta terça-feira (17) devido ao receio de proliferação do novo coronavírus (Covid-19) em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo brasileiro deveria seguir os melhores exemplos no mundo e fechar fronteiras, restringindo ainda voos internacionais e a circulação de pessoas, principalmente onde a crise do novo coronavírus é mais grave, defendeu nesta terça (17) o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Maia fez as declarações após deixar uma reunião de líderes partidários para discutir como a Câmara vai implantar o sistema de votação remota para manter o Congresso funcionando em meio à crise provocada pela doença.

"Se fosse a minha opinião pessoal, pelo que eu vejo dos melhores exemplos no resto do mundo, acho que já deveria ter fechado as fronteiras, acho que já deveria ter restringido os voos internacionais e já deveria ter criado um plano de contingencia no Rio [de Janeiro] e em São Paulo para que a circulação ficasse restrita àqueles que, de fato, precisem garantir o abastecimento de alimentos e outras questões que são urgentes", afirmou o presidente da Câmara.

Ele ainda criticou o governo, afirmando que o temor de um impacto econômico causado pelo novo coronavírus não pode provocar o risco de ter um problema maior na saúde pública.

"A economia será afetada de qualquer jeito. Você achar que manter a circulação para que a economia continue funcionando vai garantir algum crescimento, do meu ponto de vista está errado", disse. "Na hora que os problemas começarem a aumentar, as pessoas naturalmente vão ficar em casa".

Ele lembrou também que é preciso incluir medidas para a população carente. No Rio e em São Paulo, que concentram o maior número de casos da doença, é comum famílias grandes morarem em barracos nas comunidades pobres. "Você não tem nenhuma condição de isolar as pessoas".

Assim como fez na divulgação do crescimento pífio de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, Maia voltou a defender a ampliação de gastos públicos para conter a crise do coronavírus. "Acho que é inevitável que a redução do dano na economia seja garantida pelo estado brasileiro. Não há outra saída, principalmente porque arrecadação federal vai cair, dos estados vai cair, dos municípios deve cair".

O presidente da Câmara ressaltou que os parlamentares estão prontos para apoiar medidas que ajudem na retomada da economia, citando especificamente a mudança da meta fiscal.

Sobre as medidas anunciadas na véspera pelo ministro Paulo Guedes (Economia), Maia elogiou o chamado Plano Mansueto, que prevê uma antecipação de créditos aos governos regionais que fizerem ajustes nas contas.

"Acho que Plano Mansueto a gente vai trabalhar para votar, o deputado Pedro Paulo [DEM-RJ] está trabalhando com os governadores que vão apresentar uma proposta ainda nesta semana dos temas que são urgentes para eles, o secretário [do Tesouro] Mansueto [Almeida] certamente está articulando com eles, nós estamos conversando com os governadores", disse.

"O plano mansueto também faz parte, com alguma complementação, na suspensão do pagamento das dívidas, não apenas com o Tesouro, mas também com os bancos públicos, acho que dá para avançar", disse.

Segundo Maia, apesar da adoção de votações remotas, não há risco de o Parlamento fechar por causa da Covid-19. "O Congresso brasileiro fechou só na ditadura, não vai fechar mais", afirmou.

O deputado também voltou a evitar confrontos com o presidente Jair Bolsonaro, a quem criticou no domingo (15) por ter participado de manifestações em apoio ao governo e contra o Congresso e o STF (Supremo Tribunal Federal). Ao aderir ao ato, Bolsonaro desobedeceu a recomendações do Ministério da Saúde de evitar aglomerações.

"Esquece briga, esquece conflito. Vamos resolver os problemas em conjunto. Vamos deixar os conflitos políticos para depois da crise", afirmou.