Ministro nega que governo Bolsonaro tenha cometido irregularidade ao gastar R$3 bilhões com aliados: "não seria diferente"

·2 minuto de leitura
Gestão Bolsonao é acusada de comprar apoio político - Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images
Gestão Bolsonao é acusada de comprar apoio político - Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images
  • Gestão Bolsonaro destinou R$ 3 bilhões do Orçamento de 2020 para gastos de aliados

  • Recursos teriam sido usados em troca de apoio político

  • Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento, negou que medida configure irregularidade

O governo reservou R$ 3 bilhões do Orçamento de 2020 para atender indicações de gastos de interesse de políticos aliados, segundo reportagem publicada neste domingo pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. As despesas foram destinadas principalmente à compra de equipamentos agrícolas e tratores. A manobra, com indícios de falta de transparência, foi criticada por parlamentares, que avaliam pedir que órgãos de controle investiguem o uso dos recursos.

De acordo com a reportagem, a execução dos gastos ocorreu no Ministério de Desenvolvimento Regional, comandado por Rogério Marinho. Só para compra de tratores, retroescavadeiras e equipamentos agrícolas foram R$ 271,8 milhões. Em alguns casos citados, as compras foram autorizadas em valores acima dos preços de referência.

Leia também

Os recursos teriam sido usados em troca de apoio político. Ofícios enviados aos órgãos por parlamentares para liberar os valores acordados mencionam termos como “minha cota” e “fui contemplado”. Deputados e senadores se referiam a parcelas das chamadas emendas do relator, definidas pelo congressista responsável pelo texto final do Orçamento. O mecanismo, criado em 2019 e chamado de RP-9 no jargão de técnicos, funciona na prática como um meio para aumentar o poder do Legislativo sobre as despesas do governo federal.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2020, que definiu as regras para a gestão do Orçamento no ano passado, não prevê que parlamentares indiquem a prioridade dos gastos definidos por meio das emendas. Essa possibilidade chegou a ser aprovada pelo Congresso, mas foi vetada pelo presidente Jair Bolsonaro, por recomendação do Ministério da Economia. Entre os motivos, o veto — que não foi derrubado pelo Legislativo — afirma que a medida poderia “fomentar cunho personalístico” nas indicações de gastos.

Ministro confirma repasses, mas nega irregularidade

Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento, negou que medida configure irregularidade - Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images
Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento, negou que medida configure irregularidade - Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images

O líder do Novo na Câmara, Vinicius Poit (SP), afirmou que a medida deve ser investigada:

— Temos denunciado desde nossa chegada ao Congresso este uso de emendas para comprar a base de parlamentares no Congresso. É um fluxo muito grande de recursos, e com pouquíssima transparência.

À noite, o ministro Rogério Marinho negou, em uma publicação nas redes sociais, que a indicação seja irregular. Segundo ele, parlamentares de oposição também foram contemplados.

“Não seria diferente, pois os recursos do RP-9 são de indicação do parlamento. Isso começou em 2019 e é sabido. O que há é tentativa de construção de uma narrativa”, disse Marinho. 

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos