Em ofício que foi obrigado a responder, governo Bolsonaro admite ter comprado metade dos 560 milhões de vacinas que anuncia

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Bolsonaro é criticado por ineficiência na obtenção de vacinas contra Covid-19; Presidente coleciona falas questionando eficácia de imunizantes - Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Bolsonaro é criticado por ineficiência na obtenção de vacinas contra Covid-19; Presidente coleciona falas questionando eficácia de imunizantes - Foto: AP Photo/Eraldo Peres
  • Recentemente, ministro Marcelo Queiroga vinha batendo na tecla de que país tem 560 milhões de vacinas "contratadas"

  • Em ofício, Ministério da Saúde admite ter comprado só metade e classifica restante como "em negociação"

  • Governo Bolsonaro é criticado pela demora em negociar vacinas no final do ano passado

Sempre que questionado recentemente pela escassez de doses de imunizantes contra a Covid-19, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) responde que seu Ministério da Saúde já contratou um total de 560 milhões de vacinas. O montante, no entanto, foi desmentido pela própria pasta, conforme apuração do jornal "O Estado de S. Paulo".

Em resposta a um questionamento oficial vindo do Congresso Nacional, a pasta, chefiada atualmente por Marcelo Queiroga, diz que o número realmente contratado é metade do anunciado, ou seja, 280 milhões de doses. 

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No último dia 24, porém, o Ministério da Saúde usou uma rede social para divulgar um vídeo que dizia que já foram compradas mais de 560 milhões de vacinas. Dias depois, Queiroga endossou a informação, mas alertou que nem todas estariam prontamente à disposição. 

“(Mas) é claro que não dispomos dessas doses no departamento de logística do Ministério da Saúde, até porque há uma carência de vacinas a nível internacional", alegou o ministro.

Resposta oficial desmente discurso

Marcelo Queiroga vinha defendendo publicamente versão de que país já contava com 560 milhões de imunizantes contra a Covid - Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Marcelo Queiroga vinha defendendo publicamente versão de que país já contava com 560 milhões de imunizantes contra a Covid - Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Na resposta enviada ao Congresso, o Ministério da Saúde admite que foram adquiridas 281.023.470 doses de imunizantes contra Covid-19. Outras 281.889.400 estariam em "fase de negociação", conforme divulgou o "Estadão". 

Dos imunizantes que ainda não constam como confirmados, a maioria seria de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, fabricado pela Fiocruz. O Ministério da Saúde espera contar com 210 milhões de doses até o fim do ano, mas não há nenhum contrato assinado que garanta que o montante seria produzido nesse período. 

Há ainda na lista de vacinas compradas, porém sem assinatura oficial de contrato, 30 milhões de doses da Coronavac (produzida pelo Instituto Butantan) e mais de 41 milhões de doses que devem vir do consórcio internacional Covax Facility, gerenciado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Governo foi obrigado a responder

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A resposta que fez ruir o discurso de 560 milhões de vacinas contratadas é assinada por Lauricio Monteiro Cruz, diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do ministério, em 12 de abril. As informações chegaram ao Congresso apenas nesta segunda-feira (03), em resposta a requerimento de informações do deputado Gustavo Fruet (PDT-PR).

Solicitações desse tipo devem ser respondidas em um prazo de 30 dias, sob pena de enquadramento do ministro em crime de responsabilidade, pois cabe ao Congresso fiscalizar o Executivo. A prestação de informações falsas também sujeita o titular da Saúde ao enquadramento nesse crime.

“Houve a efetiva compra/negociação de 560 milhões de doses ou apenas o indicativo de intenção de compra?”, questionou Fruet no pedido. Segundo o posicionamento oficial do Ministério da Saúde, “pode-se afirmar que das 575.912.870 doses destinadas para atendimento das ações do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra covid, já foram contratadas 281.023.470 doses”.