Governo do México pede desculpas a indígenas maias por 'ofensas' desde conquista espanhola

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Foto divulgada pela Presidência do México mostra o presidente mexicano Andres Manuel Lopez Obrador (D), seu homólogo guatemalteco Alejandro Giammattei (C) e sua secretária do Interior, Olga Sanchez Cordero (E), durante a cerimônia de pedido de perdão ao povo Maia, em Felipe Carrillo Puerto, Estado de Quintana Roo, México, em 3 de maio de 2021

O governo do México pediu desculpas nesta segunda-feira (3) aos indígenas maias pelas "ofensas" cometidas contra eles desde a conquista espanhola, especialmente durante o período conhecido como Guerra das Castas, no século XIX.

As desculpas foram apresentadas pelo presidente Andrés Manuel López Obrador durante o primeiro dos atos para comemorar os 500 anos da conquista e o bicentenário da independência mexicana, que contou com a presença de seu homólogo guatemalteco, Alejandro Giammattei, no município de Felipe Carrillo Puerto (estado de Quintana Roo, sudeste).

“Pedimos desculpas ao povo maia pelos terríveis abusos cometidos por indivíduos e autoridades, nacionais e estrangeiras, na conquista, durante os três séculos de dominação colonial e dois séculos de independência do México”, disse López Obrador em seu discurso.

O presidente esquerdista referiu-se em particular à Guerra das Castas, que, segundo registros históricos, opôs os indígenas maias aos crioulos e brancos mestiços em Yucatán (sudeste) entre 1847 e 1901, o que deixou 250.000 mortos.

Durante a cerimônia, o governo mexicano reconheceu o racismo e o esquecimento que ainda afligem essa minoria étnica. “Pedimos desculpas ao povo maia do México (...) pelos erros cometidos contra eles ao longo da história e pela discriminação de que ainda são vítimas no presente”, afirmou a secretária do Interior, Olga Sánchez.

Por sua vez, o presidente da Guatemala - onde a cultura maia tem grande presença - lembrou que, desde a Guerra das Castas, as pessoas superaram a escravidão e a guerra, mas ainda enfrentam grandes problemas, como a violência e as migrações. “Continuamos enfrentando a perda de vidas humanas, agora devido ao crime organizado, à desnutrição e à busca por oportunidades, que mobiliza tantas pessoas de longe”, disse Giammattei.

O México e a Guatemala realizam uma operação conjunta em sua fronteira comum com militares e policiais para interromper o fluxo de migrantes que tentam chegar aos Estados Unidos.

No primeiro dos atos de desculpas planejados pelo México neste ano, foram ouvidas vaias de moradores que rejeitaram a construção do Trem Maia, projeto turístico promovido por López Obrador. Em junho de 2020, o presidente mexicano deu início às obras da linha férrea de 1.500 km que percorrerá diferentes partes da Península de Yucatán, onde fica Cancún, popular entre turistas internacionais. No entanto, várias organizações sociais se opõem, afirmando que a mesma causará danos ao meio ambiente e às comunidades indígenas.

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