Governo mantém silêncio ante manifestações violentas que paralisam Haiti

Por Amelie BARON
Manifestante mascarado em um protesto em Porto Príncipe, em 10 de fevereiro de 2019

Os disparos esporádicos faziam eco nesta segunda-feira (11) nas ruas desertas de Porto Príncipe, enquanto o governo permanecia em silêncio ante os protestos que paralisam a capital haitiana e que provocaram um aumento generalizado da violência.

As ruas, normalmente colapsadas pelo tráfego, estavam vazias depois do fechamento de escolas, lojas e escritórios municipais por medo do aumento da violência que deixou vários mortos e semeou incertezas em torno ao governo do presidente Jovenel Moise.

Barricadas apareceram em algumas áreas da capital e outras cidades, à medida que os manifestantes tomaram as ruas exigindo a renúncia do presidente, após informes de má administração e possível malversação de fundos.

Depois de um começo de dia tranquilo mas tenso, centenas de jovens dos bairros mais pobres da capital marcharam até Petionville, a zona mais rica de Porto Príncipe, jogando pedras em casas, até que a polícia lançou gases lacrimogêneos para deter a marcha.

A polícia também frustrou uma tentativa de ataque a um banco durante a manifestação, arrastando vários suspeitos cobertos de sangue, e prendeu ao menos cinco pessoas, segundo um repórter da AFP no local.

Desde que a oposição organizou manifestações generalizadas, na semana passada, quando completaram dois anos da presidência de Moise, surgiram protestos espontâneos em centros urbanos.

Em alguns lugares, homens jovens levantaram barricadas e começaram a sequestrar transeuntes para pedir resgate, enquanto veículos foram incendiados e lojas danificadas e saqueadas, gerando um clima de medo e intimidação em paralelo com os protestos opositores.

Os manifestantes exigem a Moise que renuncie por um escândalo concentrado no fundo Petrocaribe, sob o qual a Venezuela forneceu petróleo ao Haiti e a outros países caribenhos e da América Central a preços reduzidos e em condições de crédito favoráveis durante anos. Investigações revelaram que ao menos dois bilhões de dólares do programa foram malversados.