Governo não será só do PT, tem que ter mais gente, reitera Lula em Lisboa

Lula durante discurso em Portugal
Lula durante discurso em auditório no Instituto Universitário de Lisboa, em Portugal

Ao fim de uma semana de disputas na equipe que trabalha na transição de governo, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, reiterou neste sábado (19/11) que seu governo não será só do Partido dos Trabalhadores.

"O governo não pode ser só do Partido dos Trabalhadores, temos que ter governo com mais gente da sociedade, com mais gente de outros partidos, com mais gente que não tem nenhum partido", disse Lula a uma plateia de apoiadores em auditório no Instituto Universitário de Lisboa, em Portugal.

Nesta semana, a equipe de transição do governo Lula apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) da Transição, que retira a despesa com o Bolsa Família do teto de gastos. A semana também foi marcada pelo pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para deixar a equipe de transição e pela divulgação de novos nomes para os grupos técnicos.

O discurso de Lula a apoiadores em Lisboa marca o fim da viagem internacional do presidente, que visitou Portugal - acompanhado por Rosângela da Silva, a Janja, e pelo ex-ministro Fernando Haddad - após participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27).

"Sabemos que temos que ter responsabilidade fiscal, que não podemos gastar tudo que a gente ganha, mas sabemos também que a gente pode gastar para fazer alguma coisa que dê rentabilidade para fazer o país crescer, melhorar do ponto de vista logístico, melhorar do ponto de vista da competitividade", disse Lula.

Lula e o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante encontro no Palácio de São Bento, em Lisboa
Lula e o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, em encontro no Palácio de São Bento, em Lisboa

Na sexta-feira (18/11), ele já havia dito que o Brasil terá responsabilidade fiscal "sem precisar atender tudo que o sistema financeiro quer".

O presidente eleito teve encontros com o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o primeiro-ministro, António Costa.

Mais de 40 dias antes de assumir o Palácio do Planalto e com Jair Bolsonaro recolhido, Lula tem sido tratado, na prática, como se já fosse presidente em compromissos no exterior e conseguiu atenção internacional com pauta ambiental.

Comunidade brasileira

Na manhã de sábado, Lula fez um discurso de cerca de meia hora a apoiadores em Lisboa e disse, ao defender que o Brasil volte a gerar oportunidades de educação e emprego: "espero que vocês comecem a voltar para o Brasil orgulhosamente".

Os brasileiros - que deram mais votos a Lula do que a Bolsonaro em Lisboa, Porto e Faro nas últimas eleições - são a principal comunidade estrangeira em Portugal, representando um terço dos estrangeiros residentes no país, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). São mais de 250 mil brasileiros registrados em Portugal.

Sobre as eleições, Lula disse que "quem foi derrotado agora não soube perder".

"Nunca vi a esquerda praticar 10% da violência que a extrema direita está fazendo no Brasil", afirmou Lula. "A gente derrotou Bolsonaro, a gente ganhou as eleições, mas radicalismo, ignorância… o bolsonarismo ainda está vivo e nós precisamos derrotar."

O presidente eleito disse a apoiadores que não aceitem provocações. "Se vocês encontrarem com bolsonarista nervoso, xingando vocês, não aceitem provocação. Não briguem."

"Vamos derrotá-los sem utilizar contra eles os métodos que eles usaram contra nós", disse. "O que a gente quer é um país que viva em paz".

- Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63688425