Casa Branca quase não viu a primeira-dama nos primeiros 100 dias de Trump

Miriam Burgués.

Washington, 29 abr (EFE).- Melania Trump chegou com seu marido, o presidente Donald Trump, à Casa Branca no último dia 20 de janeiro, mas em seus primeiros 100 dias como primeira-dama dos Estados Unidos quase não voltou à mansão presidencial, uma vez que continua vivendo em Nova York com seu filho e suas aparições públicas foram muito escassas e protocolares.

Também não se prevê que vá ser uma primeira-dama muito ativa quando se mudar à casa situada na Avenida Pensilvânia de Washington, algo que pretende fazer quando Barron, seu único filho, terminar o atual ano letivo.

A ex-modelo eslovena, que nesta semana completou 47 anos, "é aparentemente uma pessoa muito privada que não tem muito interesse na política", disse à Agência Efe Katherine Jellison, da Universidade de Ohio e especialista em estudos sobre as primeiras-damas dos EUA.

"Minha sensação é que continuará sendo uma primeira-dama de perfil discreto mesmo depois de mudar-se para a Casa Branca", acrescentou Jellison.

Myra Gutin, professora da Universidade Rider e também especialista no papel das primeiras-damas americanas, declarou à Efe que também dúvida que Melania Trump tenha um papel "ativo" no futuro na Casa Branca, ainda mais quando se compara com o que fizeram predecessoras como Michelle Obama e Laura Bush.

Em seus primeiros 100 dias como primeira-dama, o ato mais significativo no qual participou aconteceu no final de março no Departamento de Estado, onde Melania prometeu que os EUA estarão "vigiando" àquelas nações que não façam o suficiente para proteger os direitos das mulheres e para lutar contra a violência sexual.

Suas outras escassas aparições sem seu marido incluíram uma visita em fevereiro ao Museu de História e Cultura Afro-Americana de Washington junto a Sara Netanyahu, a esposa do primeiro-ministro israelense, e um encontro com meninos em um hospital de Nova York, onde leu para os pequenos um livro do Dr. Seuss.

Na companhia do presidente foi vista em mais ocasiões, recentemente na tradicional corrida de ovos de Páscoa na Casa Branca, visitando soldados feridos em um hospital militar nos arredores de Washington, no reconhecimento ao Professor do Ano e na recepção ao presidente da Argentina, Mauricio Macri, e sua esposa, Juliana Awada.

Além disso, normalmente Melania se desloca para Mar-a-Lago, na Flórida, quando o presidente decide passar o final de semana na mansão que tem ali e que já é conhecida como "a Casa Branca de inverno".

Ainda assim, sempre que a ex-modelo se deixa ver, seu estilo é o centro dos olhares e dos comentários.

Para o dia da posse, Melania Trump optou por um vestido clássico azul de Ralph Lauren que lhe valeu elogios e comparações com o glamour de Jacqueline Kennedy, ao contrário desta semana na recepção ao casal Macri, na qual usou um terninho de saia verde militar com bolsos nada favorecedores no paletó.

De preto e com o cabelo solto subiu ao palco para o primeiro discurso de seu marido perante o Congresso e assim aparece também em seu primeiro retrato oficial, publicado no site da Casa Branca este mês junto a uma breve biografia.

Melania Trump "se preocupa profundamente com assuntos que afetam mulheres e crianças, e centrou sua plataforma como primeira-dama no problema do assédio cibernético entre nossos jovens", resume essa biografia.

Gutin lembrou à Efe que, durante a campanha eleitoral, Melania já antecipou que estava "interessada" em combater o assédio cibernético e ressaltou que esse assunto é o único no qual a vê "aconselhando o presidente" após se mudar à Casa Branca.

Quando isso acontecer, Melania Trump participará de eventos públicos de diversos tipos "com mais frequência, mas não a vejo dando muitos discursos", antecipou Jellison.

Esta especialista da Universidade de Ohio também não consegue ver a primeira-dama aconselhando ou discordando de seu marido sobre temas políticos, mas sim dando recomendações "em termos de estilo", como quando recentemente o lembrou de colocar a mão sobre o coração ao escutar o hino americano. EFE