Governo Paes prevê mudanças no BRT logo no início do ano e seis estações devem ser reativadas até fevereiro

Felipe Grinberg
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Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO — Uma das propostas de campanha do prefeito eleito Eduardo Paes (DEM) para o próximo ano começa a ser desenhada pelo seu governo. A economista Maína Celidonio, futura secretária de Transportes, já elaborou um plano para a reativação de seis estações do BRT no primeiro mês de trabalho, a maioria na Zona Oeste. Atualmente, os passageiros do sistema encontram 56 estações do BRT fechadas por diversos motivos, entre problemas de segurança e vandalismo. Até o início de fevereiro estão previstas a abertura das estações Pinto Teles, Bosque Marapendi (Módulo Expresso), Tanque (Módulo Expresso), André Rocha, General Olímpio, Nova Barra e Praça do Bandolim. Para poder reativar essas estações, pequenos reparos estão sendo feitos.

O consórcio que administra as linhas ainda passa por uma crise financeira. No fim de novembro, motoristas do BRT cruzaram os braços e paralisaram a circulação dos articulados após o consórcio anunciar parcelamento do 13º salário. O Rio viveu naquele 30 de novembro um dia de caos, com engarrafamentos quatro vezes maiores do que nas semanas anteriores, o que evidenciou a dependência por esse modal de transportes. Segundo o consórcio, de março a outubro, houve queda de R$ 155 milhões em arrecadação devido à diminuição do fluxo de passageiros, que nos primeiros três meses de pandemia chegou a 75%.

As reclamações diárias de passageiros sobre o mal funcionamento do sistema e as possíveis soluções serão temas de uma reunião hoje com membros de diversas pastas do novo governo, do consórcio do BRT e da Polícia Militar. Entre os assuntos estará a questão da segurança nas estações e no entorno, uma das principais causas de fechamentos das estações.

— Percorremos todas as estações para levantar as demandas. Há algumas que estão fechadas por falta de segurança no entorno, outras viraram moradia de pessoas em situação de rua. Há também estações com acúmulo de lixo e vandalismo. Agora vamos nos reunir para definir as ações — conta Maína Celidnio, futura secretária de transportes do Rio.

Outro tema que será debatidos na reunião será a atuação da prefeitura nas 22 estações com mais aglomeração. Entre as ações que já estão definidas está a distribuição de 100 mil máscaras doadas pela iniciativa privada e atuação de guardas municipais no ordenamento.

Menos risco de contaminação

A secretaria também busca parcerias com o setor privado para conseguir a doação de itens para reduzir o risco de contaminação, como testagem para funcionários do sistema, álcool gel e material para uma campanha de conscientização. Em paralelo, o novo governo estuda também escalonar os horários de funcionamento de setores de atividades econômicas, para diluir o pico nos transportes:

— Será uma ação integrada entre o consórcio com diversas secretarias da prefeitura. Identificamos as estações com mais aglomeração. Nessas, levantamos as demandas de reparos e manutenção que serão feitas nos próximos 15 dias — diz Maína.

A equipe de transição também trabalha para levantar qual o tamanho atual da frota do BRT operante e quantos veículos estão parados. Os técnicos já sabem que há problemas de manutenção e até de ônibus queimados — na véspera de Natal, por exemplo, seis articulados pegaram fogo em um estacionamento do consórcio.

Outro problema a ser enfrentado, para além do BRT, é o de sumiço de linhas de ônibus. O futuro governo está fazendo um levantamento de quais linhas estão com problemas e os motivos.