Governo panamenho anuncia desbloqueio de estradas em meio às negociações

As rodovias que ficaram bloqueadas por três semanas em protesto contra o alto custo de vida no Panamá foram liberadas na terça-feira (26) pelos manifestantes, enquanto prosseguem as negociações entre os sindicatos e o governo, informou o ministro da Segurança, Juan Manuel Pino.

As estradas estão "todas abertas" pela primeira vez desde o início dos protestos, disse Pino em uma breve mensagem à AFP. Pouco antes, a Polícia anunciou em sua conta no Twitter que "as estradas que foram mantidas fechadas devido às manifestações estão livres" e com "fluxo de veículos constante".

O Panamá tem sido palco de protestos contra o custo de vida e a corrupção, na pior crise social desde a invasão dos EUA em 1989. Durante esse período, os manifestantes bloquearam rodovias, principalmente a rodovia Pan-Americana, que liga o Panamá à Costa Rica, e a principal via de comércio e transporte de mercadorias em todo o país.

O fechamento da estrada causou escassez de alimentos e combustível em várias cidades. Na terça-feira, lideranças da região indígena Ngäbe-Buglé, no oeste do país, anunciaram que deixariam de bloquear a Pan-Americana na província de Chiriquí, de onde vem a maior parte dos alimentos frescos consumidos no país.

Em Santiago de Veraguas, 250 quilômetros a sudoeste da Cidade do Panamá, epicentro dos protestos mais radicais, a polícia impediu o fechamento da Pan-Americana, segundo imagens publicadas nas redes sociais.

O presidente do Panamá, Laurentino Cortizo, reiterou na terça-feira aos manifestantes que liberassem as estradas, durante uma mensagem em que apareceu rodeado de ministros.

"Os protestos, o fechamento de ruas e rodovias afetam a todos nós, colocam em risco a saúde e a vida dos panamenhos, também aumentam o custo dos alimentos e ameaçam o emprego", disse.

O governo "respeita o direito de manifestação", mas "sem perturbações da ordem pública, violação dos direitos de terceiros e muito menos atos de vandalismo", acrescentou.

A abertura das estradas ocorre em meio ao diálogo que o governo vem realizando desde quinta-feira, em Penonomé, 150 quilômetros ao sudoeste da capital panamenha, com representantes das organizações que convocam os protestos.

Até o momento, o governo concordou em reduzir o preço de 72 itens da cesta básica e reduzir o combustível de US$ 5,20 por galão (3,78 litros) para US$ 3,25. No entanto, os sindicatos pedem que o preço da gasolina seja reduzido para 3 dólares, que reduza o custo dos medicamentos e da eletricidade, melhore a saúde pública e a educação e as medidas contra a corrupção.

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