Governo pede divulgação apenas de trechos do vídeo com reunião em que Bolsonaro teria tentado interferir na PF

Carolina Brígido
Solenidade de eosse de André Luiz de Almeida Mendonça como ministro da Justiça e Segurança Pública

BRASÍLIA - O advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Junior, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido para que sejam divulgados trechos do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. O advogado-geral recomenda a publicidade de todas as falas do presidente Jair Bolsonaro, exceto “a breve referência a eventuais e supostos comportamentos de nações amigas” e manifestações dos demais participantes da reunião.

O material está inserido no inquérito aberto na Corte para investigar ataques do ex-ministro Sergio Moro a Bolsonaro. Segundo Moro, o presidente teria tentado interferir indevidamente nas atividades da Polícia Federal durante a reunião.

Na terça-feira, o ministro Celso de Mello, relator do inquérito, deu prazo de 48 horas para Moro, a Advocacia Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestaram sobre a possível retirada do sigilo do vídeo. A gravação foi exibida na manhã da terça-feira aos participantes do inquérito. Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir de forma indevida na Polícia Federal.

De acordo com reportagem publicada pelo GLOBO, Bolsonaro defendeu na reunião troca no comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro para evitar que familiares e amigos seus fossem “prejudicados” por investigações em curso. Bolsonaro alegou que não utilizou os termos “Polícia Federal” nem “superintendente” na reunião.

Moro já defendeu a retirada do sigilo da gravação. “O acesso ao vídeo da reunião ministerial do dia 22/4 confirma o conteúdo do meu depoimento em relação à interferência na Polícia Federal, motivo pelo qual deixei o governo. Defendo, respeitosamente, a divulgação do vídeo, preferencialmente na íntegra, para que os fatos sejam brevemente confirmados”, disse o ex-ministro, em nota.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, já deu declaração no sentido de que devem ser divulgados apenas trechos relativos à investigação. Bolsonaro, por sua vez, afirmou que não vê problemas com a divulgação do vídeo, desde que sejam mantidos em sigilo trechos da reunião em que outros temas foram debatidos, como política externa.