Governo prevê oferta de 2,5 milhões de testes rápidos para idosos e R$ 4 bi em ações

BRASILIA, DF, BRASIL, 21-04-2020, 12h00: Governo do Distrito Federal realiza testagem em massa para o coronavírus na população. Na primeira etapa, 100 mil testes serão feitos em vários pontos da cidade, no esquema drive thru. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo anunciou nesta quinta-feira (30) que destinará cerca de R$ 4 bilhões para ações destinadas a idosos durante a epidemia do novo coronavírus.

O valor inclui ações de saúde e assistência social. O montante deve ser distribuído até dezembro —o cronograma não foi divulgado. Entre as ações está a oferta de 2,5 milhões de testes rápidos para o novo coronavírus a idosos que apresentarem sintomas de síndrome gripal.

Em geral, esse tipo de teste usa uma pequena amostra de sangue para verificar a presença de anticorpos para a doença. O resultado sai entre 10 e 30 minutos.

A intenção de ampliar a oferta de testes rápidos a idosos já havia sido apontada pelo Ministério da Saúde, mas os números da oferta ainda não haviam sido divulgados. Até então, esse tipo de teste era indicado apenas a profissionais de saúde e de segurança.

O governo, porém, não deu detalhes de como será essa oferta aos idosos.

Especialistas apontam limitações nesse tipo de teste, caso do risco de resultado falso negativo. O resultado, assim, não exclui a possibilidade de infecção.

Atualmente, cerca de 30 milhões de brasileiros têm acima de 60 anos, de acordo com dados do IBGE.

Além da oferta dos testes, o governo prevê ainda que parte do valor seja destinado ao pagamento de BPC (Benefício de Prestação Continuada) a 155 mil idosos que não se inscreveram no cadastro único dentro do prazo e R$ 146 milhões a estados e municípios.

Outra parte dos recursos deve ser destinada à oferta de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, a profissionais que atuam em instituições de longa permanência, como são chamados hoje os antigos asilos.

O governo anunciou a intenção de aumentar o número de visitas de equipes de Saúde da Família nestes locais para tentar rastrear possíveis casos da doença.

"Não vai acontecer no Brasil o que aconteceu em outros países", disse a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, em referência a mortes ocorridas em asilos em países como a Itália.

A ministra vestiu, durante parte da entrevista coletiva, uma máscara da Mulher Maravilha.

"Esta aqui ficou linda para a superministra", disse Damares, que pediu para que a população ajude as crianças a usar a proteção, criando máscaras pequenas e lúdicas.

Segundo ela, a ideia é usar também o Disque 100 para receber ligações de idosos que estejam sozinhos durante a epidemia.

O aumento no monitoramento de equipes de saúde faz parte de uma proposta elaborada pelo Ministério da Saúde para cuidado de idosos em asilos.

O documento ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso aponta um risco potencial de que o novo coronavírus atinja 11.732 idosos que vivem nestes locais.

O cálculo considera a existência de 78.216 pessoas com mais de 60 anos vivendo em instituições vinculadas ao Suas (sistema de assistência social que inclui as entidades que recebem verbas públicas) e uma estimativa de 15% de incidência da doença.

Especialistas ouvidos pela reportagem, porém, dizem que os números estão subestimados e tendem a ser maiores.

Além do acompanhamento de equipes, o plano prevê a possibilidade de oferta de testes e isolamento para aqueles que apresentarem sintomas.

Caso não haja condições de isolamento dentro da instituição, o documento recomenda que seja feita uma internação social com uso de leitos em hospitais de pequeno porte e de retaguarda.