Governo promete passar de 2,7 mil para quase 70 mil testes diários de Covid-19

Pesquisador da UFRJ trabalha no desenvolvimento de teste para Covid-19

BRASÍLIA (Reuters) - O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, afirmou nesta quarta-feira que uma nova estratégia do Ministério da Saúde para ampliar a capacidade de monitoramento da Covid-19 no país fará com que o Brasil chegue a processar quase 70 mil testes de Covid-19 por dia em junho, julho e agosto.

Segundo o secretário, atualmente o país tem uma capacidade instalada de analisar 2,7 mil testes do novo coronavírus diariamente, que a partir de quinta-feira será incrementada em mais 10 mil testes por dia com a entrada de novos laboratórios no sistema.

Wanderson ressalvou, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, que não se fará essa testagem de 70 mil amostras "sistematicamente", mas haverá uma "rampa" a partir do eventual aumento de suspeitas de casos.

"No momento mais elevado de produção, que a gente acredita que vai ser em meados de julho, vamos chegar a 70 mil por dia", disse. "Não quer dizer que teremos 70 mil casos, estamos falando de testagem", completou.

O secretário disse que serão realizados 13 milhões de testes moleculares de Covid-19 em junho, julho e agosto, período tradicionalmente de maior presença de vírus respiratórios no Brasil.

Segundo Wanderson, essa testagem em massa é inspirada no trabalho que foi feito na Coreia do Sul, e haverá unidades volantes e fixas para a realização dos testes.

O secretário reconheceu que cerca de 100 mil exames dos laboratórios oficiais estão com resultados pendentes de carregamento no sistema, e prometeu que a partir da próxima semana essa fila será zerada, o que vai impactar bastante nos números de casos confirmados de Covid-19 no país.

Na véspera, o secretário informou que outros 100 mil exames, estes realizados por laboratórios particulares, também ainda aguardavam carregamento no sistema.

Nesta quarta-feira o Brasil registrou novo recorde diário de novos casos de Covid-19, com 10.503 registros nas últimas 24 horas, elevando o total para 125.218. O país também registrou mais 615 óbitos, totalizando agora 8.536.


(Por Ricardo Brito; Edição de Pedro Fonseca)