Governo quer aumentar fluxo de comércio com a China, dizem fontes

Marcello Corrêa

BRASÍLIA – As negociações para a criação de uma área de livre comércio entre Brasil e China, reveladas nesta quarta-feira pelo ministro da Economia, Paulo Guedes , têm como objetivo fazer a abertura comercial e ampliar a integração entre os dois países seguindo cinco critérios: cronologia, intensidade, avanço das reformas estruturais, abrangência setorial e capacidade de promoção comercial. O processo, porém, ainda está em estágio inicial, segundo técnicos da área econômica. De acordo com essas fontes, o governo brasileiro tem interesse em ampliar o fluxo comercial com o país asiático. Os mecanismos para isso ainda estão sendo estudados.

Na avaliação de uma fonte, é difícil especificar o que seria um acordo com a China, porque a palavra “acordo” carrega um “oceano” de significados. Em outras palavras, ainda é difícil estabelecer os termos em que o acordo se daria. A ideia, afirma outra fonte, partiu dos próprios chineses.

Leia:Brasil estuda área de livre comércio com a China, diz GuedesO Brasil tem hoje um fluxo comercial anual de cerca de US$ 100 bilhões com a China, segundo os dados mais recentes do Ministério da Economia. Só entre janeiro e outubro, as empresas brasileiras exportaram para os asiáticos US$ 51,5 bilhões, o que representa 27,8% de todas as vendas para o exterior. Já as importações somaram US$ 30,1 bilhões. Assim, o Brasil tem um superávit comercial de US$ 21,4 bilhões com os chineses.

A equipe econômica ainda não estabeleceu uma meta de crescimento dessa corrente. Um técnico explicou que o objetivo é aumentar a integração em duas frentes: expandir o volume vendido e aumentar o valor agregado da pauta exportadora.Para intensificar o processo de abertura econômica, o governo deve levar em consideração uma série de fatores para evitar que o fim de barreiras atrapalhe os negócios das companhias nacionais. Guedes costuma ilustrar esse movimento com uma imagem em que empresários brasileiros estão com duas bolas de ferro nos pés: uma representa os juros altos, outra os custos associados às leis trabalhistas. Nessas condições, precisam correr para fugir da concorrência chinesa.

Viu isso: Quer trabalhar na China? Saiba como buscar oportunidades no paísNo caso da cronologia e intensidade, será preciso estabelecer em quanto tempo e quão forte será o processo de cortes de tarifas, caso o plano vá à frente. No caso do avanço de reformas estruturais, a avaliação é que o Brasil já percorreu parte do caminho para se preparar para ampliar a integração global. A aprovação da reforma da Previdência e da lei de liberdade econômica são citadas especificamente como pontos positivos nesse processo. O governo ainda não avançou, no entanto, na reforma tributária, uma das principais demandas do setor produtivo, que está parada no Congresso à espera da proposta da equipe econômica.

Guerra comercial:História mostra que China não perdoa humilhaçãoA abrangência setorial diz respeito a garantir que as medidas sejam válidas para o máximo de setores possível, não beneficiando ou prejudicando apenas alguns segmentos específicos. Os técnicos estão preocupados ainda com a capacidade de promoção das empresas brasileiras. O diagnóstico é que o país ainda se vende pouco no mundo.A declaração de Guedes sobre o livre comércio com a China se deu no contexto da reunião da cúpula do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em que a integração do comércio dentro do bloco foi um dos temas mais defendidos pelos representantes dos cinco países.

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