Governo do Rio ainda não enviou proposta de novo piso regional para Alerj

Letycia Cardoso
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O carnaval de 2021 já se aproxima e, até hoje, nada ficou decidido a respeito do novo piso regional no Estado do Rio de Janeiro. De acordo com o Conselho Estadual de Trabalho, Emprego e Geração de Renda do Rio de Janeiro (Ceterj), o último debate aconteceu em novembro, sem acordo entre patrões e trabalhadores, e nenhuma proposta foi enviada pelo governador à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

O presidente do Ceterj e membro da bancada dos trabalhadores, Carlos Lima, explica que os empregados pedem 5,26% de reajuste, com base na prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano, divulgada em novembro de 2020.

— O INPC acabou fechando 2020 acima disso, em 5,45%. A bancada dos trabalhadores está inconformada com a postura do governador em exercício, Cláudio Castro. Ainda que ele não concorde com a nossa proposta, ele tem a autonomia de elaborar uma nova, com outros valores, e enviar à Alerj. Mas até agora nada fez — reclama.

A bancada dos patrões sequer fez uma contraproposta por acreditar que o momento é de incertezas econômicas, em virtude da pandemia, e, por isso, não há espaço para reajustes.

— As empresas precisam pensar na manutenção dos empregos dos funcionários e nas suas próprias sobrevivências. Não dá para dar nada! Não tem como fazer esse repasse. Tirando os serviços essenciais, o comércio foi muito prejudicado em 2020 porque as atividades ficaram fechadas por muito tempo. Se o piso for ajustado, é provável que tenhamos um aumento do desemprego no Estado do Rio — opina Carlos Américo Pinho, assessor jurídico da Presidência da Fecomércio RJ.

Lima, por sua vez, argumenta que as categorias mais pobres, que são as que realmente ganham o piso, estão perdendo poder de compra em virtude da inflação dos alimentos, do reajuste do preço do gás de cozinha e do aumento nas tarifas de transporte.

— Não justifica penalizar uma categoria desprotegida em nome de um discurso que o reajuste vai deixar mais desempregados, quando o que provoca o desemprego são outras coisas: o ICMS, a crise do petróleo, o problema da desindustrialização do Rio e a falta de projetos para desenvolvimento do estado, que gerem emprego e renda — opina.

Procurada, a Casa Civil respondeu que "o valor do piso ainda está sendo definido".