Governo do Rio anuncia barreiras sanitárias nos voos com origem na Índia em aeroportos da cidade

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RIO — A Secretaria estadual de Saúde (SES) anunciou que, a partir desta terça (1), realizará barreiras sanitárias nos aeroportos Galeão e Santos Dumont no desembarque dos voos que chegarem da Índia. Há 10 dias, um passageiro entrou no Rio mesmo sem um resultado de exame para Covid-19. Morador de Campos, ele veio da Índia e acabou tendo diagnóstico confirmado da variante indiana do coronavírus. Nesta tarde, representantes da SES se reuniram com a Anvisa para tratar de medidas de controle nas fronteiras.

Nesta noite, a pasta divulgou que estará, a partir de terça, "atuando com equipe 24h de prontidão para realizar testes de antígeno nos passageiros" desses voos. O exame será obrigatório e quem testar positivo será isolado em um hotel na cidade até realizar novos testes RT-PCR, cujas mostras serão encaminhadas para sequenciamento genômico e identificação da variante. A medida acabará sendo só para os brasileiros, já que, conforme publicou o colunista Lauro Jardim, o governo federal proibiu temporariamente a entrada no país de estrangeiros "de qualquer nacionalidade", por recomendação da Anvisa. A nova portaria não delimita até quando essa proibição vai durar.

Além disso, a Superintendência de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (SIEVS), da SES, vai monitorar passageiros que estiverem em isolamento, assim como possíveis contatos.

- Estamos em contato com a Anvisa, que é responsável pelas vigilância em portos e aeroportos, e fechamos com o Ministério da Saúde uma ação dentro dos aeroportos do Galeão e do Santos Dumont. Receberemos a lista de passageiros vindos da Índia que embarcarem em São Paulo com destino ao Rio. Nossa preocupação é com essa nova variante. Essas medidas buscam diminuir as chances de entrada dessa cepa no Rio de Janeiro - afirmou, em nota, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe.

Conforme O GLOBO mostrou na semana passada, a inspeção sanitária nos aeroportos do Rio não vinham sendo feitos. Na oportunidade, a Anvisa respondeu que a exigência era feita por cada companhia aérea, e que a obrigatoriedade seria dos passageiros internacionais apresentarem um resultado de PCR negativo datado das últimas 72 horas.

Após a confirmação da infecção de um morador de Campos dos Goytacazes com a cepa indiana da Covid-19, outras 15 pessoas estão sendo monitoradas naquela cidade. Segundo a prefeitura de Campos, 12 são funcionários do hotel onde o homem de 32 anos ficou hospedado. Dos outros três, dois são trabalhadores que estavam no mesmo voo, que veio da Índia, e um terceiro é um morador que retornou à cidade na última sexta. Nenhum dos monitorados apresentou sintomas de coronavírus até aqui.

Os dois rapazes que vieram no mesmo voo, no último dia 22, fizeram testes e os primeiros resultados foram negativos para Covid-19. Ainda assim, eles fizeram novos exames na última sexta, bem como o terceiro homem, de 50 anos, que voltou de viagem para Campos, mas estas análises ainda não ficaram prontas. Já os 12 funcionários do hotel, onde o homem contagiado ficou nos dias 23 e 24, só realizarão testes esta semana, explicou a prefeitura de Campos.

O homem infectado com a cepa indiana está em isolamento na capital, para onde retornou no último dia 24, após início dos sintomas. Mas não há atualização sobre seu estado de saúde. Nesta tarde, a Secretaria estadual de Saúde (SES) vai se reunir com a Anvisa e a colocação de barreiras sanitárias nos aeroportos é uma das pautas.

Procurada, a prefeitura de Campos explicou que "todos os monitorados pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS/Campos) seguem assintomáticos, entretanto, todos os protocolos sanitários preconizados pelo Ministério da Saúde para evitar a disseminação e contaminação pelo coronavírus estão sendo seguidos".

Para o virologista da UFRJ Amilcar Canuri, o correto seria a testagem dos funcionários do hotel já nesta segunda.

— O certo seria fazer um PCR após oito dias de contato (o que se completa nesta segunda) e depois novamente com 14 dias, para descartar qualquer infecção assintomática.

O infectologista da UFRJ Celso Ramos explicou que as testagens são uma forma quase impossível de impedir a entrada de variantes externos. Para ele, a solução está na vacinação em massa.

— Ele (homem contagiado) procurou um serviço de saúde porque sentiu sintomas. Se não fosse isso, poderia estar transmitindo até agora. Fechar completamente as fronteiras é impossível, considerando a extensão do Brasil.Você pode diminuir a circulação nas fronteiras, mas acabará sendo enxugar gelo, e a variante continuará entrando. O mais relevante são nossos níveis de transmissão interna. No contexto atual, vamos continuar produzindo variantes aqui dentro.

O homem, de 32 anos, trabalhador offshore, contagiado pela variante chegou ao Rio no último dia 22 de maio, vindo de uma viagem à Índia. Antes, fez escala no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, onde realizou teste PCR para coronavírus. No entanto, ele seguiu para o Rio antes do resultado, e a confirmação do diagnóstico positivo só foi enviado após ele já ter passado uma noite num hotel, ao lado do Aeroporto Santos Dummont, e ter chegado em Campos dos Goytacazes, onde vive.

No dia seguinte, ele foi de carro para a cidade do Norte Fluminense e, depois, retornou para a capital na segunda-feira, onde voltou a se hospedar, em isolamento. Durante dois dias, o caso investigado circulou por três cidades e teve contato com dezenas de pessoas. Agora, ele está sendo monitorado pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS/RJ), do Rio.

Outras duas pessoas que viajaram com ele, também residentes de Campos, da mesma forma estão monitoradas pelas autoridades. Mas os seus primeiros resultados de testes para Covid-19 deram negativo.

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