Governo de São Paulo decreta quarentena por 15 dias em todo o estado

Dimitrius Dantas

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou neste sábado que decretou uma quarentena de 15 dias em todos os municípios do estado a partir de terça-feira (24). O período irá se estender até 7 de abril. O governo também anunciou mais seis mortes decorrentes do coronavírus no estado de São Paulo. Agora o número de óbitos no estado subiu para 15. Com as outras três mortes já confirmadas no Rio, o número de mortes em todo o país chegou a 18.

– São 396 casos em todo o estado, agora com 15 óbitos. Temos 9 mil casos como suspeitos – declarou o secretário de estado da Saúde, José Henrique Germann.

A quarentena determinada por João Doria é uma obrigação de fechamento de comércio e de serviços não essenciais em todo o estado de São Paulo.

– Saímos do campo da recomendação. É um decreto – afirmou o governador.

Serviços essenciais nas áreas de abastecimento, saúde, alimentação, segurança e limpeza devem continuar a funcionar. Além de hospitais, clínicas, farmácias e clínicas odontológicas seguirão abertas.

Também poderão funcionar supermercados, hipermercados, padarias e açougues. Mas serviços de alimentação preparada deverão ser suspensos a partir da próxima terça-feira, podendo manter apenas serviço de delivery. Bares, cafés e restaurantes devem fechar suas portas.

– Se desejarem, e esta é uma decisão empresarial, esses estabelecimentos poderão funcionar através de delivery – afirmou o governador.

Bancos e lotéricas seguem funcionando normalmente. Também não há restrição para construção civil e telemarketing.

– Aqueles que atuam na construção civil não têm contato com o público, resguardados todos os cuidados. Os serviços de banco permanecem em funcionamento, serviços de call center e telemarketing também, serão ainda mais utilizados nesse período. Assim como serviços de delivery – disse Doria.

– Nós superaremos a crise do coronavírus em São Paulo e, com certeza, em todo o Brasil – disse Doria.

O pronunciamento no Palácio dos Bandeirantes também contou com a participação do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, que falou sobre o trabalho de conscientização da população da capital sobre a gravidade da crise.

– Não é apenas um ato relacionado à vigilância sanitária permanecer dentro de casa, é um ato de respeito ao próximo – disse o prefeito. – Já estamos com mais de 20 carros de som percorrendo todos os pontos da periferia da cidade de São Paulo. Estamos levando informação para poder conscientizar a população.

Covas também comentou sobre as medidas adotadas pela administração municipal ipara aumentar a capacidade de atendimento do sistema de saúde.

– Estamos nos preparando para o pior cenário possível. Vamos ampliar em mais 490 leitos. Entregamos os 20 primeiros leitos. São 1250 respiradores que temos na cidade. Mais 2 mil leitos de baixa complexidade já liberados os recursos. Esses 2 mil leitos também com respiradores. É esse trabalho conjunto entre prefeitura, estado e queria agradecer também ao Ministério da Saúde – afirmou Covas.

Outro que participou da coletiva foi o médico David Uip, do centro de contingência da crise do coronavírus no estado, que fez um alerta contundente.

– Levem a sério essa pandemia: isso não é férias, não é brincadeira. Tem bairros que parece que o dia a dia não mudou. Isso é muito sério. Tem que ter a compreensão da gravidade – declarou. – As forças de saúde estão muito atentas. São corajosas, destemidas e eu não preciso conclamá-las porque estão na linha de frente – completou.

Doria reforçou as recomendações:

– Queria fazer uma manifestação de repúdio a iniciativas de festas em São Paulo. Não é hora de fazer festa, baile funk, nenhum tipo de celebração. Fiquem em casa. Não faz o menor sentido quererem sobrepor os interesses pessoais e econômicos aos interesses da população – finalizou.

Antes de anunciar as medidas, Doria também fez um discurso com orientações para a população, pedindo solidariedade, para que os idosos não saiam de casa, prestando apoio aos profissionais de saúde e solicitando para que as pessas não frequentem as igrejas. Nesta sexta-feira, em entrevista ao "SBT", o presidente Jair Bolsonaro defendeu a manutenção de cultos e missas e afirmou que padres e pastores poderão lidar, individualmente, com a situação.

– É importante que não frequente templos, não vá a nenhum tipo de templo e igreja. A oração pode ser feita de casa, com seus familiares. Estão todos adaptando o formato das suas missas – declarou.