Putin e Erdogan deixam decisão sobre "zonas seguras" a negociadores de Astana

Moscou, 3 mai (EFE).- Os presidentes de Rússia e Turquia, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, apoiaram nesta quarta-feira a criação de "zonas seguras" na Síria, mas explicaram que ela deve ser estipulada pelas partes em conflito, que negociam em Astana, no Cazaquistão.

"Hoje discutimos este assunto (com o presidente Putin) sobre um mapa", disse Erdogan na entrevista coletiva que ambos concederam após se reunirem em Sochi.

"Partimos do ponto de que as partes do conflito, reunidas hoje em Astana, tomarão a decisão final porque, em definitivo, depende delas qual será o destino de seu país", alegou, por sua vez, Putin.

Após mais de uma hora e meia de reunião na residência de veraneio de Putin em Sochi, os dois governantes sequer se colocaram em acordo sobre como denominar as áreas que ficariam livres de qualquer hostilidade e acolheriam as famílias deslocadas de outras regiões do país árabe.

Erdogan considera que é "ingênuo" chamá-las de "zonas seguras", termo utilizado pelo Kremlin, e apontou que seria mais correto se referir a esses territórios como "zonas de desconto de tensão".

"Não importa como as chamemos. O importante é que o regime que combinemos para elas seja cumprido e que entremos em consenso sobre um sistema de controle sobre a implementação desses acordos", disse Putin.

O presidente turco, no entanto, argumentou que já existe uma "zona de desconto de tensão" na província de Idlib, na Síria, onde "encontraram amparo os refugiados de Alepo".

Erdogan lamentou que "surjam alguns problemas" nessa província, controlada pelos grupos opositores armados apoiados por Ancara e considerados terroristas pelo governo do presidente sírio, Bashar al Assad.

Putin e Erdogan também não chegaram a um acordo sobre a criação de zonas de exclusão aérea dentro desses territórios: enquanto o líder turco defende a proibição total de sobrevoá-los com aviação de combate, o chefe do Kremlin afirmou que isso deve ocorrer somente "se não for observado neles nenhuma atividade militar".

O líder russo também destacou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respaldou a proposta de criação de "zonas seguras" na conversa por telefone que tiveram ontem à noite.

"Ontem falamos sobre este tema com o senhor Trump e, pelo que entendi, a administração americana apoia estas ideias", ressaltou. EFE

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