Governo de SP diz que remédios para intubação podem acabar "em poucos dias"

Ana Letícia Leão
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SÃO PAULO - O governo de São Paulo afirmou, nesta quarta-feira, ter encaminhado ao Ministério da Saúde nove ofícios pedindo auxílio para compras do chamado kit intubação, que reúne medicamentos específicos para anestesiar e sedar pacientes com Covid-19 antes do suporte respiratório. De acordo com o secretário de Saúde, Jean Gorinchtey, os requerimentos foram enviados "reiteradamente" à pasta federal nos últimos 40 dias, mas não houve retorno. O último foi enviado nesta terça-feira (13).

— Em 40 dias, a Secretaria de Saúde mandou nove ofícios para o Ministério da Saúde. Nós precisamos do governo federal para a aquisição centralizada dos kits intubação. São dois grupos de medicações que realmente causam disputas para todos os entes federais e também municipais, de neuromusculares e anestésicos. Rio:Em meio a falta de sedativos, governo do Rio usa helicópteros para levar 'kits entubação'

Gorinchtey explicou que nas últimas semanas o governo estadual tem auxiliado os municípios a repor estoques dos remédios, o que "causou impacto" nas reservas.

— Não podemos deixar os municípios desamparados, mas eles também, assim como a Secretaria de estado, estão tendo problemas para a aquisição junto aos distribuidores e fabricantes. Nós temos medicações na rede estadual que confortam para alguns dias.De acordo com o secretário, para evitar um colapso no atendimento aos pacientes com Covid-19 devido à falta dos medicamentos, estão sendo utilizados outros remédios não rotineiros para sedação e entubação.

— Criamos, através de chancelas dadas pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia e pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, alternativas para essas medicações. Se não existe um determinado produto, pode ser utilizado outro com a mesma eficácia e o mesmo fundamento clínico — explicou Gorinchtey.

Vacinação

A declaração dos integrantes do governo paulista sobre a escassez do kit entubação foi dada na manhã desta quarta-feira, durante a liberação de mais 1 milhão de doses da CoronaVac. Essa foi a 23ª entrega do ano. Até o momento, foram disponibilizadas 40,7 milhões de doses ao PNI (Programa Nacional de Imunizações). Faltam 6 milhões a serem entregues até 30 de abril para que o governo de São Paulo cumpra o primeiro contrato assinado com o Ministério da Saúde. Leia mais:Tragédia da Covid faz população encolher no Brasil, com mais óbitos do que nascimentos em 8 estadosSegundo o Butantan, em março foram disponibilizadas 22,7 milhões de doses. Em fevereiro, 4,85 milhões e, em janeiro, 8,7 milhões de unidades. Na sequência, o governo de SP deve entregar outras 56 milhões de doses até agosto.

Nesta semana, ao menos cinco capitais relataram ao Ministério da Saúde ter recebido menos doses do que o previsto em cada frasco da CoronaVac. Com isso, o Butantan informou que vai atualizar a bula do imunizante para informar o jeito correto de aplicar o imunizante para evitar desperdício.