Governo do Sri Lanka impõe estado de emergência após presidente fugir do país

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A crise política no Sri Lanka intensificou-se nesta quarta-feira, depois de o presidente deixar o país, o primeiro-ministro assumir o poder e manifestantes perderem a paciência com um governo que não se dobra às suas demandas.

Em vez de renunciar como prometido, o presidente Gotabaya Rajapaksa fugiu para as Maldivas, na Ásia Meridional, ao lado da mulher e de seguranças. Com a incerteza sobre quem liderava o Sri Lanka, manifestantes cercaram o Gabinete do primeiro-ministro na capital, Colombo, onde foram recebidos com gás lacrimogêneo.

Com a fuga do presidente, o primeiro-ministro cingalês, Ranil Wickremesinghe, declarou estado de emergência nacional e um toque de recolher na província ocidental do país, onde fica Colombo. A ordem provocou confusão, pois, de acordo com a lei, é apenas o presidente que pode declarar tais ordens.

Horas depois, um porta-voz anunciou que Wickremesinghe atuará como presidente interino. Os manifestantes, no entanto, não recuaram. Minutos após o anúncio, a multidão concentrada do lado de fora do Gabinete do premier invadiu e assumiu o controle do prédio, enquanto outro grupo ocupou a principal emissora televisiva pública, a Rupavahini.

Alguns manifestantes apareceram por alguns minutos no ar, falando que a emissora transmitiria apenas vídeos e imagens de protestos até que suas demandas fossem atendidas. A transmissão, no entanto, foi rapidamente interrompida.

Wickremesinghe fez então um discurso na TV a cabo, no qual se dirigiu às forças de segurança e pediu para que "façam o necessário para restabelecer a ordem".

— Os manifestantes querem impedir que eu cumpra minhas responsabilidades como presidente interino. Não podemos permitir que os fascistas tomem o controle — disse.

É improvável, no entanto, que os manifestantes o aceitem no poder. Os protestos exigem uma mudança total do governo, a quem culpam por levar o país quase à falência. O movimento contra Rajapaksa e seus aliados vem crescendo há meses, à medida que combustível, alimentos e outros itens básicos ficaram mais escassos e caros.

A Constituição do Sri Lanka é clara quanto à sucessão. No caso de um presidente renunciar, o primeiro-ministro assume suas funções interinamente. O Parlamento então vota em um novo presidente, entre suas fileiras, para completar o mandato. Rajapaksa ainda tinha dois anos para terminar o seu governo.

Há muita especulação sobre para onde Rajapaksa pode ir após as Maldivas. Muitos avaliam as Filipinas como um destino provável. Um porta-voz disse que ele irá entregar uma carta de renúncia, mas isso ainda não aconteceu.

A escassez de combustível abala há meses a vida cotidiana no Sri Lanka, onde moram 22 milhões de pessoas, com o país sem reservas em moeda estrangeira necessárias para efetuar importações essenciais. Os preços dos alimentos e remédios dispararam, os cortes de energia tornaram-se frequentes e o transporte público é frequentemente suspenso devido à falta de combustível.

Quem governar o país nos próximos meses herdará uma nação difícil de estabilizar. O novo mandatário precisará ganhar a confiança dos manifestantes e convencer os credores – incluindo aliados firmes como a Índia – de que podem tirar o país de seu buraco econômico. Para complicar as coisas, o partido no poder, leal aos Rajapaksas, ainda mantém a maioria dos assentos no Parlamento (Com The New York Times).

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