Governo troca número 2 do GSI em meio às desconfianças pelos ataques terroristas

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocou o número 2 do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança dos palácios presidenciais, em meio às desconfianças pelos ataques terroristas do dia 8 de janeiro. A portaria com a troca foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira e é assinada pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin (PSB).

No cargo de secretário executivo desde julho de 2021, o general Carlos José Russo Assumpção Penteado era o número dois do ministro Augusto Heleno, que comandava o GSI na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em seu lugar, entra o general Ricardo José Nigri.

Foram nomeados ainda o general Marcius Cardoso Netto para exercer o cargo de Secretário de Segurança e Coordenação Presidencial e o general Carlos Feitosa Rodrigues para o cargo de Chefe da Assessoria de Planejamento e Gestão do Departamento-Geral do Pessoal.

As mudanças ocorrem em meio às desconfianças pela atuação dos militares em meio aos ataques golpistas do dia 8 de janeiro à sede dos Três Poderes. Em mais de uma ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou “gente das Forças Armadas” de ter sido conivente com a invasão do Palácio do Planalto e afirmou estar convencido de que as portas da sede do Executivo foram literalmente abertas para os golpistas. Ele disse ainda que não pode ficar "nenhum suspeito de ser bolsonarista raiz" no Palácio.

— Eu ainda não conversei com as pessoas a respeito disso. Eu estou esperando a poeira baixar. Quero ver todas as fitas gravadas dentro da Suprema Corte, dentro do palácio. Teve muita gente conivente. Teve muita gente da PM conivente. Muita gente das Forças Armadas aqui dentro conivente. Eu estou convencido que a porta do Palácio do Planalto foi aberta para essa gente entrar porque não tem porta quebrada. Ou seja, alguém facilitou a entrada deles aqui — disse Lula, durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, na quinta-feira.

O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, afirmou em entrevista ao GLOBO que o GSI, responsável pela segurança dos prédios, será quase 100% renovado para “ter uma oxigenação”.

— O GSI está sendo mudado. Quase 100% dele será renovado para ter uma oxigenação, para botar pessoas com maior treinamento, com maior capacidade de ação e de reação. Temos que garantir um padrão de treinamento que permita proteger os três Palácios, símbolos das três instituições do Brasil.

No sábado, Lula decidiu o comandante do Exército, general Júlio César de Arruda. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, justificou a troca no comando alegando que houve "fratura de confiança" na relação com o Exército.

Como o GLOBO mostrou, Lula quis demitir o general devido ao comportamento do militar em relação aos acampamentos golpistas diante do Quartel General do Exército, em Brasília. O presidente já havia criticado o que chamou de conivência do Exército com os terroristas que invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo integrantes do governo, Arruda teria sido resistente à tentativa de pacificação da relação entre o presidente e o Exército.

O novo comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, fará a primeira reunião com a cúpula da Força desde que assumiu o posto. No encontro, os demais 16 generais de quatro estrelas que compõem o Alto Comando serão informados das diretrizes do novo chefe do Exército.

A expectativa para o encontro é que o novo comandante aborde com os colegas quais providências pretende tomar a respeito do envolvimento ou leniência de militares durante os atos golpista do último dia 8. Ele foi incumbido pelo Palácio do Planalto de dar andamento a investigações sobre a participação de militares nos ataques.

Na sexta-feira, em declaração no Palácio do Planalto após reunião com Lula, Múcio afirmou que os os militares estão cientes que o governo poderá adotar punição a integrantes das tropas que eventualmente tenham a participação comprovada nos atos golpistas.

— Os militares estão cientes e concordam que vamos tomar as providências. Evidentemente, no calor da emoção, precisamos ter cuidado para que os julgamentos e acusações sejam justas para que as penas sejam justas. Mas tudo será providenciado no seu tempo.

Na mesma ocasião, o ministro afirmou que acredita que não houve um envolvimento direto das Forças Armadas, mas “se algum elemento, individualmente, teve a sua participação, ele vai responder como cidadão”.