Governo vê inflação de 9,7% e PIB menor neste ano

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BRASÍLIA — O governo revisou suas expectativas para o desempenho da economia e, agora, prevê que a inflação fechará este ano com uma alta de 9,7%, próximo das estimativas do mercado financeiro e superior aos 7,9% de IPCA previstos anteriormente.

O Ministério da Economia também prevê que o PIB vai crescer 5,1%, número mais otimista que as expectativas de economistas. Esse número representa um recou nas previsões do governo, que antes previa uma alta de 5,3%.

A revisão das estimativas do Ministério da Economia foi divulgada nesta quarta-feira pelo Ministério da Economia. Para 2022, o governo federal estima que o PIB irá subir 2,1% e a inflação continuará alta, crescendo a 4,7%. Mas muitos analistas avaliam que o país terá recessão no ano que vem.

A previsão da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, para o desempenho da atividade econômica em 2021 está acima do mercado, que estima um crescimento de 4,8% neste ano e 4,79% no próximo ano.

Boletim da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia cita o preço alto das comodities, com destaque para os valores da energia, alimentos e metais industriais. “A inflação de itens que não são apenas de alimento e energia tem assolado diversos países”, diz a SPE.

Para a Economia, o principal fator interno para redução das estimativas de atividade é a deterioração das condições financeiras locais, com aumento de juros.

“Caminho semelhante foi percorrido pela taxa de câmbio, cuja depreciação levou a taxa para valor próximo a R$/US$ 5,70. No entanto, observa-se que, apesar do patamar elevado, as condições financeiras amainaram em relação aos topos”, diz o boletim da SPE.

A pasta menciona entre fatores positivos que impulsionam o crescimento em 2021 o carregamento estatístico de 2020, a taxa de poupança elevada, a recuperação do investimento, o mercado de crédito e a recuperação dos serviços.

"Ao mesmo tempo, existem riscos neste ano, notadamente o risco hídrico e o risco de um eventual recrudescimento da pandemia", afirma a SPE.

Salário mínimo

O governo também revisou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é usado como base para o reajuste do salário mínimo. O índice indice deste ano subiu de 8,4% para 10,04%.

Se esse aumento previsto se confirmar e não houver mudança no cálculo, o reajuste do salário mínimo em 2022 também será maior que o estimado anteriormente.

Atualmente, o salário mínimo está em R$ 1.100. Com a nova previsão para o INPC no acumulado de 2021, o valor subiria para R$ 1.210,44 no ano que vem. Esse valor está R$ 41,44 acima da última proposta oficial do governo para o salário mínimo em 2022, divulgada em agosto, de R$ 1.169.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, reconheceu que o crescimento da economia no governo Jair Bolsonaro é menor do que outros períodos da história, mas é mais positivo do que o resto do mundo.— Quando se leva cenário externo em consideração, estamos obtendo resultados importantes — disse, citando um crescimento previsto de 0,75% no Brasil entre 2019 e 2021, contra 0,60% dos países avançados e -0,85% da América Latina.

Sachsida ainda argumentou que mais importante que o número do crescimento é a qualidade.

— Insistimos em agendas estruturais que garantam crescimento de longo prazo — afirmou.

Sobre o cenário para 2022, a SPE destaca que a projeção fundamenta-se em dados positivos do mercado de trabalho, que vem se recuperando da queda na pandemia, e também cita alto volume de investimentos contratados para o ano que vem, em parte decorrente de leilões e concessões.

Sachsida argumentou que as taxas de participação e ocupação devem voltar aos padrões históricos no próximo ano, com a melhora da pandemia, especialmente com o retorno ao mercado dos trabalhadores informais.

Segundo o secretário, a expectativa é de que o mercado de trabalho absorva cerca de 5 milhões de trabalhadores nos próximos 12 meses, sendo que 3,4 milhões informais e 1,5 milhão com carteira assinada. Ele afirmou ainda que há expectativa de forte crescimento do investimento em 2022, liderado por concessões e privatizações.

— Ao contrário de período anteriores, como de 2009 a 2014, quando o governo escolhia os "campeões nacionais", hoje o mercado escolhe onde e quanto investir — disse.

No curto prazo, o secretário disse que há expectativa de melhora dos serviços em novembro, após queda em setembro.

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