Após crise na Casa Civil, governo vai alterar regras de utilização de aviões da FAB, diz Onyx

Daniel Gullino
O modelo do avião Embraer 190 que faz parte do Grupo Especial de Transporte Especial da FAB

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta segunda-feira que o presidente Jair Bolsonaro pediu para ele reformular as regras de utilização de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), para torná-las mais restritas. A orientação ocorre após a demissão de Vicente Santini, que era secretário-executivo de Onyx na Casa Civil, por ter usado uma jato da FAB para ir à Suíça e à Índia.

— Sem dúvida nenhuma vão aumentar as restrições. Foi o que o presidente me determinou no sábado. Vamos fazer uma reavaliação de tudo isso e vamos editar novas normas — disse Onyx, em entrevista à Rádio Gaúcha.

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Onyx disse estar conversando com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, sobre as regras. Segundo ele, Azevedo recomendou utilizar regras da Organização das Nações Unidas (ONU).

— Eu passei o final de semana conversando com o ministro Fernando. O ministro Fernando fez uma série de ponderações, que eu acho perfeitamente pertinentes.Ele tem uma tese de que a gente deveria reproduzir, por exemplo, as resoluções da ONU, em termos de viagens internacionais. Por que? Porque isso dá mais transparência, dá mais clareza. Ela junta distância percorrida, fase etária e volume de trabalho. É uma equação que leva três questões.

A demissão de Santini foi anunciada na semana passada por Bolsonaro, que classificou sua atitude de "completamente imoral". Ele chegou a ganhar um outro cargo na Casa Civil, mas foi novamente exonerado, também por determinação do presidente.Levantamento do GLOBO, a partir de registros da FAB de 2019, identificou 72 voos nacionais e oito internacionais, feitos por 14 ministros e três autoridades das Forças Armadas, nos quais havia até três passageiros a bordo, motivo alegado para a demissão de Santini. Há casos em que apenas o titular da pasta estava no voo.Onyx disse que Santini "sempre foi uma pessoa correta", mas afirmou que respeita a decisão de Bolsonaro.

— O Santini, durante o período que ficou aqui, sempre foi uma pessoa correta. Teve sempre um procedimento muito adequado. Mas, no entendimento do presidente Bolsonaro, naquele episódio houve um equívoco. O presidente tomou as duas medidas, nos cabe respeitar.

Na entrevista, o ministro ainda afirmou que Bolsonaro lhe garantiu que não fará nenhuma reforma ministerial no momento. Questionado sobre críticas que recebe dentro do governo, Onyx as atribuiu ao fato de que frequentemente ele é responsável por dizer "não". O ministro não quis revelar, contudo, quem são essas pessoas que ficam —incomodadas com ele.

— A função da Casa Civil é de proteção absoluta do presidente. Muitas vezes o trabalho de coordenação do governo faz com que quem tenha de dizer "não", sou eu. Então, é natural isso. As pessoas não gostam de ser contrariadas. Quem ouvir sempre "sim", "sim", "sim".