Governo vai incluir empresas maiores no programa que financia pagamento de salários

Gabriel Shinohara
Com alteração, as empresas vão precisar manter apenas 50% dos empregos

BRASÍLIA — O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, mostrou nesta segunda-feira que o governo vai alterar o escopo do programa de R$ 40 bilhões que financia o pagamento de salários de pequenas e médias empresas. Campos Neto participou de audiência pública na Comissão Mista de acompanhamento dos gastos da Covid-19 no Congresso Nacional.

O programa não estava atingindo os resultados esperados. Dos R$ 40 bilhões disponíveis, apenas R$ 1,9 bilhão foi financiado até a última semana.

Segundo a apresentação do presidente, o programa agora deve incluir empresas maiores, com faturamento anual até R$ 50 milhões. Inicialmente, o financiamento era voltado para empresas que tinham faturamento de R$ 360 mil a R$ 10 milhões.

Na semana passada, Campos Neto explicou que o grosso dos pedidos de financiamento vieram das empresas que tinham faturamento mais próximo do limite de R$ 10 milhões. Nesse caso, o entendimento foi que a linha não atendia as necessidades das empresas menores. Por essa razão, o governo resolveu ampliar o escopo.

Com essa medida, o BC espera um impacto adicional de R$ 5 bilhões.

Em outro ponto, o governo também vai alterar os requisitos mínimos para as empresas se qualificarem para o financiamento. Empresários reclamaram que a necessidade de manter todos os empregos para receber o crédito era inviável por conta das incertezas da economia. Segundo alguns deles, não era possível saber como seriam os próximos meses para assumir o compromisso de manter os empregados.

Dessa forma, o requisito será alterado para que os empresários mantenham ao menos 50% dos postos de trabalho.

Além disso, o governo vai estender o programa por mais dois meses, com impacto esperado de mais R$ 5 bilhões. Na versão anunciada no fim de março, o prazo do programa era de apenas dois meses.