Governo vai investigar auditor do Tesouro que teve conta no TikTok bloqueada por Moraes após postagens pró-golpe

O Ministério da Fazenda encaminhou à sua corregedoria o caso de um servidor concursado que teve uma conta em rede social bloqueada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela suspeita de incentivar atos golpistas.

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Henrique Guilherme do Amaral Santos, que trabalha no Tesouro Nacional, era o responsável pela conta "patriota.guilherme", do TikTok, derrubada por Moraes no dia 8 de janeiro, mesmo dia dos ataques às sedes dos Três Poderes. Além disso, ele também publicava fotos tiradas no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Ele tem uma remuneração bruta mensal de R$ 29,4 mil.

Após o GLOBO revelar o caso, a pasta informou que "o caso foi encaminhado à Corregedoria do MF (Ministério da Fazenda) para avaliação e apuração". O ministério afirmou estar seguindo recomendação de um ofício da Controladoria-Geral da União (CGU), que recomendou que seja instaurada uma investigação preliminar sumária (IPS) contra agentes públicos federais suspeitos de participarem de atos antidemocráticos.

O Ministério da Fazenda ainda disse que tomou conhecimento dos fatos na segunda-feira, após ser procurada pela reportagem, porque a determinação de Moraes foi enviada apenas ao TikTok. A pasta ressaltou que não sabia do conteúdo publicado por Santos em suas redes, "uma vez que não é realizado monitoramento de redes sociais pessoais de servidores de seus quadros".

O GLOBO tentou contato com Santos desde a segunda-feira, por telefone e mensagem, mas ele não respondeu aos questionamentos. Após ser procurado, ele fechou sua conta no Instagram, onde havia diversas fotos do acampamento montado em frente ao QG do Exército.

Esse é o primeiro caso divulgado de um servidor federal investigado por participação na manifestação golpistas, mas há outros casos a nível estadual e municipal. Um funcionário da Sabesp foi preso após ter participado do ataque ao Congresso Nacional. No Distrito Federal, três servidores da Secretaria de Saúde foram presos.