Governo vai proibir empresas de comprar vacina contra Covid-19 para funcionários

O Globo
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SÃO PAULO - O governo federal afirmou a grandes empresários na última quarta-feira (13) que não será permitida a compra de vacinas por companhias para a imunização de funcionários. A proibição foi comunicada em reunião virtual dos ministros da Casa Civil, Braga Netto, das Comunicações, Fábio Faria, e do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, com 28 membros do grupo Conselho Diálogo pelo Brasil, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Sem precisar datas, Braga Netto teria afirmado no encontro que todas as vacinas aprovadas e certificadas pela Anvisa serão distribuídas para todos os brasileiros em 38 mil pontos de vacinação espalhados pelo país. O ministro afirmou que o processo estaria "bastante acelerado", mas não quis se comprometer com prazos.

Élcio Franco disse, segundo a Fiesp, ressaltou que o governo aguarda a chegada de dois milhões de doses do imunizante da Astrazeneca/Oxford e que o Instituto Butantan já tem seis milhões de doses. A partir de março, a Fiocruz poderá produzir 15 milhões de doses do imunizante da Astrazeneca ao mês. O Butantan já produz cerca de 10 milhões de doses da CoronaVac por mês. Segundo Franco, o Brasil poderia "em poucos meses" exportar vacinas.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou após o encontro que a possibilidade de compra de vacinas pela iniciativa privada, aventada nas últimas semanas por grandes empresas, foi descartada pelos ministros, que refirmaram que a campanha de vacinação seria centralizada pelo Ministério da Saúde.

"Essa possibilidade ontem foi negada. Essa possibilidade no momento não existe. (...) Uma empresa que tenha 100 mil funcionários, se ela quiser ir ao mercado, comprar a vacina e vacinar seus funcionários não pode", disse Skaf em entrevista à radio CBN.

Participaram do encontro com as autoridades do governo Bolsonaro, além de Skaf; André Gerdau, acionista do Grupo Gerdau; Candido de Lima Junior, do Grupo Hapvida; Carlos Sanches, acionista da farmacêutica EMS; Christian Gebara, presidente da operadora de telefonia Vivo; Constantino Junior, que integra o grupo de controle da aérea Gol; Dan Ioschpe, controlador da Iochpe-Maxion; Elie Horn, da incorporadora Cyrela; Eugênio de Zagottis, vice-presidente da Raia Drogasil; Eugênio Mattar, presidente da Localiza; Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil; Fernando de Rizzo, da metalúrgica Tupy; Fernando Galletti de Queiroz, presidente do frigorífico Minerva; Flávio Rocha, controlador da varejista Grupo Guararapes; e Francisco Gomes Neto, presidente da fabricante de aviões Embraer.

Também participaram Jerome Cadier, presidente da Latam Brasil; João Guilherme Ometto, do Grupo São Martinho; John Rodgerson, presidente da companhia aérea Azul; Juliana Azevedo, presidente da Procter&Gamble no Brasil; Lorival Luz, presidente da BRF; Luiz Carlos Trabuco, presidente do conselho de administração do Bradesco; Marcelo Melchior, presidente da Nestlé no Brasil; Paulo Sousa, presidente da Cargill; Ricardo Perez Botelho, presidente da Energisa; Roberto Fulcherberguer, presidente da ViaVarejo; Roberto Simões, presidente da Braskem; Rubens Menin, presidente do Banco BMG e da construtora MRV; Salo Davi Seibel, presidente do conselho da Duratex; Victório De Marchi, co-presidente da Ambev; e Wesley Batista Filho, presidente da JBS.