Governo volta a divulgar dados acumulados da Covid-19 no site oficial do Ministério da Saúde

Retorno dos dados aconteceu após diversas contestações de especialistas, além de integrantes dos poderes Legislativo e Judiciário. (Foto: Bruna Prado/Getty Images)

O governo do presidente Jair Bolsonaro voltou a divulgar, na tarde desta terça-feira (9), os dados acumulados de casos confirmados e óbitos decorrentes do novo coronavírus no site oficial disponibilizado pelo Ministério da Saúde, que haviam sido omitidos da plataforma na quinta-feira (4).

O recuo acontece após a determinação para retomada da divulgação, decidida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, na noite de segunda-feira (8), ao acatar um pedido protocolado pelos partidos Rede, PSOL e PC do B.

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Mais cedo nesta terça, o ministro-interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, voltou a negar que a pasta esteja escondendo dados da Covid-19, e reiterou que os dados retirados seriam recolocados no portal, durante reunião da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as ações de combate à pandemia da Covid-19.

Dados consolidados das vítimas da pandemia no Brasil voltaram a ser divulgados pelo Ministério da Saúde. (Foto: Reprodução/Portal Covid-19)

“A transparência nos dados é meu principal objetivo”, afirmou ao referir-se à mudança do modelo de divulgação dos números por parte do ministério, que agora informará casos e óbitos pelo dia de ocorrência, e não mais pela data de registro, como tinha sido feito até então. 

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O QUE HAVIA MUDADO NA DIVULGAÇÃO DOS DADOS?

As mudanças feitas pelo Ministério da Saúde na publicação de seu balanço da pandemia haviam reduzido a quantidade e a qualidade dos dados.

Primeiro, o horário de divulgação, que era às 17h na gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta (até 17 de abril), passou para as 19h e depois para as 22h. Isso dificulta ou inviabiliza a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos. “Acabou matéria no Jornal Nacional”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança.

A segunda alteração foi de caráter qualitativo. O portal no qual o ministério divulga o número de mortos e contaminados foi retirado do ar na noite da última quinta-feira. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia.

Desapareceram os números consolidados e o histórico da doença desde seu começo. Também foram eliminados do site os links para downloads de dados em formato de tabela, essenciais para análises de pesquisadores e jornalistas, e que alimentavam outras iniciativas de divulgação.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por data de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica; mortes por data de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por data de notificação e por semana epidemiológica.

No último domingo, o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Mas mostrou números conflitantes, divulgados no intervalo de poucas horas.

O governo voltou a divulgar, no domingo, os dados acumulados referente aos novos casos e mortes contabilizadas. No entanto, apresentou números conflitantes e atribui os dados a "duplicações", principalmente, a uma revisão do levantamento. De acordo com a pasta, o número correto do boletim do boltim anterior, divulgado no domingo, era de 691.758 casos confirmados e 36.455 mortes.

Os problemas na divulgação dos dados repercutiram internacionalmente. A OMS (Organização Mundial de Saúde) pediu "transparência" ao Brasil no combate ao novo coronavírus.