Eleições: Governos seguem brancos e masculinos, com mulheres chefiando dois estados

Eleições: Dos 15 governadores eleitos até agora, 14 são homens, o que representa 93,3%; Romeu Zema (Novo) foi reeleito em Minas Gerais - Foto: DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images
Eleições: Dos 15 governadores eleitos até agora, 14 são homens, o que representa 93,3%; Romeu Zema (Novo) foi reeleito em Minas Gerais - Foto: DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images

Os governos estaduais definidos neste domingo (2) são majoritariamente brancos e masculinos. O cenário continua semelhante no segundo turno, com poucas chances de mudanças raciais e de gênero. A partir de 2023, mulheres estarão à frente de apenas dois estados.

Dos 15 governadores eleitos até agora, 14 são homens, o que representa 93,3%. Destes, apenas uma é mulher, um total de 6,6%, número representado por Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte (RN) -a única candidata do sexo feminino eleita em 2018.

Os que se declaram brancos representam 60%, enquanto os pardos são 40%.

Já no segundo turno, homens são 91,6%, enquanto elas 8,3%.Na corrida eleitoral de Pernambuco permanecem Marília Arraes (Solidariedade) e Raquel Lyra (PSDB), garantindo um governo feminino ao estado nos próximos quatro anos.

Ainda no segundo turno, brancos são oito, pardos são três e um indígena -representado por Jerônimo Rodrigues (PT), candidato ao Governo da Bahia.

O cenário de subrepresentação contrasta com o de mulheres e negros na sociedade brasileira. Elas são 52% da população, enquanto pretos representam 9,1% e pardos 47%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

As eleições deste ano registraram um recorde de candidaturas de pessoas negras e de mulheres (49,6% e 33,4% postulantes respectivamente).

Neste ano, a representação racial e de gênero na corrida pelos governos do estados ficou por conta dos vices, que absorveram a maior parte dos 52% das mulheres que compuseram as chapas candidatas aos executivos estaduais.

Ainda assim, a maioria dos vice-governadores eleitos também são homens brancos. Entre eles, há somente quatro mulheres —Mailza Gomes (Progressistas), do Acre, Jade Romero (MSB), do Ceará, Hana Ghassan Tuma (MDB), do Pará, e Celina Leão (Progressistas), do Distrito Federal— e quatro pardos -Edilson Damião (Republicanos), de Roraima, Teles Junior (PDT), do Amapá, Felipe Camarão (PT), do Maranhão, e Maliza Gomes.

Dos 12 estados que terão segundo turno, 10 têm candidatas mulheres como vices. Entre elas estão Lucia França (PSB), que disputa o pleito ao lado de Fernando Haddad (PT), em São Paulo. Em Santa Catarina, há uma dobradinha entre a Delegada Marilisa (PL), vice de Jorginho Mello (PL), e Bia Vargas (PSB), que concorre ao lado de Décio Lima (PT).

As eleições de 2022 ficaram marcadas como a de maior presença de mulheres, fato que acontece quatro anos após o estabelecimento de uma cota de 30% do fundo eleitoral para candidaturas femininas. A regra foi criada com o objetivo de garantir o financiamento adequado às campanhas.

As escolhas, porém, têm como pano de fundo a definição do destino desta cota financeira, uma vez que os critérios de distribuição dos recursos são definidos pelos partidos, que podem destinar a verba para candidaturas majoritárias lideradas por homens e que têm mulheres como vice.

Partidos, por outro lado, falam que a maior participação ocorre para suprir apelos por maior representatividade nas candidaturas. Neste ano, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estabeleceu regras de incentivo a candidatos do Legislativo, como o peso na distribuição do fundo partidário e eleitoral distribuídos aos partidos.

Os dados sobre raça dos candidatos começaram a ser coletados em 2014, ano em que 74% dos governadores eleitos se autodeclaravam brancos e 22,2% pardos. Desde então, pretos e indígenas não chegaram à chefia dos executivos estaduais.

Em 2018, o número de negros eleitos ao cargo subiu para 26%, enquanto o de brancos se manteve o mesmo da eleição anterior.

No período, candidatos alteraram sua declaração racial. Wellington Dias (PT), do Piauí, se definiu como amarelo em 2014, mas alterou sua identificação para pardo. O mesmo ocorreu com Flávio Dino (PSB), que se declarou branco, mas em 2018 se definiu como pardo.

Neste ano, candidatos ao governo também tiveram a sua declaração racial questionada. Disputando o segundo turno pelo governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) se identificou como pardo, mas é visto como branco por adversários e parte dos eleitores.

Sua declaração racial causou desgaste na sua candidatura, com postagens em redes sociais ironizando falas e fotos do candidato. Ele já havia se declarado pardo na corrida para a Prefeitura de Salvador em 2016, primeira eleição disputada por ele na qual o registro racial era obrigatório.

Ao menos seis candidatos que se declararam branco em 2018, alteraram seu registro para pardo nesta eleição. É o caso de Paulo Dantas (MDB), do Alagoas; coronel Marcos Rocha (União), de Rondônia; e Eduardo Braga (MDB). Destes, todos disputam o segundo turno. Entre os eleitos, Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, e Gladson Cameli (Progressistas), do Acre, também fizeram a alteração.

Romeu Zema (Novo), que disputa o segundo turno em Minas Gerais, alterou sua identificação de pardo para branco entre os dois pleitos.