Grécia aceita reformas para desbloquear programa de resgate

Por Céline LE PRIOUX
1 / 2
O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, à esquerda, se reúne com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, no dia 7 de abril de 2017 em Atenas

A Grécia aceitou nesta sexta-feira reformas propostas por seus credores para chegar a um acordo sobre a segunda revisão do atual programa de resgate e desbloquear assim a nova parcela de ajuda antes de um pagamento previsto em julho.

"A boa notícia é que hoje resolvemos os grandes problemas que tínhamos sobre as reformas a realizar", comemorou o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, durante uma coletiva de imprensa após uma reunião com 19 ministros das Finanças da zona do euro.

O comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, saudou esse "acordo de princípio sobre a Grécia" após "vários meses de negociações difíceis". "Chegou o momento de pôr fim à incerteza sobre a economia grega", acrescentou.

O bloqueio de meses nas negociações entre Atenas e seus credores -os países da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI)- impediam um abono de uma nova parcela de ajuda do terceiro programa de resgate de 86 bilhões de euros acordado com a Grécia e vigente até 2018.

Para poder desbloquear esses novos fundos, que precisa para poder enfrentar o pagamento de mais de 7 bilhões de euros a seus credores em julho, o governo grego se comprometeu a aplicar algumas medidas econômicas em 2019 e 2020.

O executivo grego está disposto agora a realizar cortes adicionais nas pensões em 2019 e aumentar os impostos em 2020, afirmou Dijsselbloem, que pediu para que se chegue rapidamente a um acordo final. "A situação não melhora na Grécia e somos responsáveis por isso. Isso leva muito tempo", assegurou.

As previsões de Bruxelas sobre um eventual retorno da economia grega ao caminho do crescimento com 0,3% em 2016 foram desmentidas no começo de março pela autoridade grega de estatísticas, que anunciou uma expansão nula no ano passado segundo sua primeira estimativa.

Por sua vez, o ministro grego das Finanças, Euclides Tsakalotos, prometeu que o parlamento grego, onde o executivo liderado pelo partido de esquerda Syriza tem estreita maioria, examinará o mais rápido possível às reformas com as quais Atenas se comprometeu para 2019 e 2020.

- Participação do FMI -

Tsakalotos ressaltou que os credores tinham aceitado que se a Grécia conseguir atingir às metas orçamentárias solicitadas, Atenas poderá aumentar os partidos sociais.

A espinhosa questão de uma eventual redução da elevada dívida grega se solucionará antes do verão. "Estaremos prontos para que todas as peças do quebra-cabeça estejam em seus lugares para a discussão sobre o alívio da dívida", apontou.

Neste sentido, o ministro das Finanças grego pediu para avançar nesse assunto para impedir a volta da incerteza, já que "ninguém quer a volta da crise grega", apontou, se referindo à situação vivida em meados de 2015, quando a Grécia esteve a ponto de sair da zona do euro.

A questão da dívida divide também aos credores do país do sul da Europa. O FMI, que desempenhou um papel importante nos primeiros planos de resgate e que atua agora como conselheiro técnico, aposta em uma redução sustancial da dívida.

Essa expectativa vai de encontro à rejeição da Alemanha, principal credor da Grécia, que insiste que o FMI participe financeiramente no atual programa de resgate.

Após celebrar os avanços realizados, o FMI destacou nesta sexta-feira em um comunicado a necessidade de abordar com os europeus uma "estratégia concreta" de alívio da dívida, antes de participar economicamente no plano de ajuda.

Essa questão possivelmente estará na pauta da reunião anual do FMI no final de abril.

Após anos de resgates financeiros concedidos em troca de duras reformas, a Grécia registra o maior número de desempregados da zona do euro com 23,1% (dados de dezembro), longe da média situada em 9,5%, e sua dívida chega a 176,9% do PIB, cerca de 311 bilhões de euros.