Grécia anuncia estabelecimento de controle de capital e feriado bancário

Por Mathilde RICHTER
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Primeiro-ministro grego discursa no parlamento em Atenas em 28 de junho de 2015

O primeiro-ministro grego anunciou neste domingo a imposição de um controle de capitais e um feriado bancário temporário, ressaltando que a poupança, os salários e as aposentadorias dos cidadãos estão garantidos. Tsipras também pediu calma à população.

"A recusa do Eurogrupo de prolongar o programa de assistência à Grécia além do dia 30 de junho levou o BCE a não aumentar a liquidez dos bancos gregos e obrigou o Banco da Grécia a ativar as medidas de fechamento temporário dos bancos e a limitar dos saques bancários", declarou Tsipras

Tsipras também disse neste domingo que voltou a pedir à União Europeia e ao Banco Central Europeu (BCE) uma extensão do programa de ajuda para o país, que foi rejeitada no sábado.

Segundo ele, o pedido foi feito "ao presidente do Conselho Europeu e aos 18 dirigentes dos Estados-membros, além do presidente do BCE, da Comissão e do Parlamento Europeu". O primeiro-ministro disse que "espera uma resposta imediata".

Caixas sem dinheiro

Essas medidas foram decretadas após a reunião de um comitê encarregado de reagir à crise financeira, para salvar o sistema financeiro do país, que corre o risco de sofrer uma onda de saques diante da possibilidade de moratória.

O Banco Central Europeu deu um alívio a Atenas neste domingo ao anunciar a manutenção do nível de fornecimento de liquidez com caráter de urgência para os bancos gregos, mas informou que não elevará o limite estabelecido para o sistema de financiamento de emergência.

As autoridades dos bancos centrais surpreenderam os inúmeros analistas que esperavam que o BCE interrompesse, neste domingo, os empréstimos de urgência, conhecidos como ELA, que no momento são a única fonte de financiamento dos bancos gregos e da economia do país.

Antes mesmo de o governo confirmar a imposição de um controle de capitais, os cidadãos se lançaram em uma corrida frenética aos caixas eletrônicos, que continuaram em funcionamento.

"Tentei em vários caixas, 5, 6, 8, 10...", disse à AFP Voula, antes do anúncio.

Em Atenas, cerca de 40% dos caixas automáticos estava sem dinheiro, afirmou durante a tarde uma fonte.

Fora da Grécia, vários países, entre eles a Alemanha, recomendaram que seus nacionais levem dinheiro em espécie se viajarem para a Grécia.

Tentando juntar os cacos

O BCE deu um pouco de tempo à Grécia e a seus credores para tentar mais uma vez se recompor das negociações, a poucos dias de um possível 'default'.

O anúncio de referendo feito pelo primeiro-ministro grego, Tsipras, na sexta-feira à noite desencadeou uma avalanche de acontecimentos durante o fim de semana. O parlamento grego se pronunciou na noite sábado favoravelmente à realização da consulta popular no dia 5 de julho.

No centro de Atenas, neste domingo, cerca de 2.000 pessoas se reuniram em frente ao parlamento para defender o "não" à proposta dos credores.

"Não à austeridade, sim à solidariedade europeia", lia-se nos cartazes. Com megafones, manifestantes gritavam em grego e em inglês: "dizemos não à essa prisão em que a União Europeia se transformou".

O presidente americano, Barack Obama, e a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmaram neste domingo que a Grécia deve seguir o caminho das reformas e evitar sua saída da zona do euro, divulgou a Casa Branca.

Em uma ligação telefônica em que conversaram sobre a crise grega, Obama e Merkel "concordaram que era de vital importância fazer tudo o que for possível para retomar a um caminho que permita à Grécia retomar as reformas e recuperar o crescimento na zona do euro", afirmou o comunicado do Executivo americano.

O presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, publicou na rede social Twitter o texto com a proposta dos credores "para informação do povo grego", dando a entender que, se os eleitores a aprovarem, ainda haveria tempo para um entendimento.

Espera-se que Junker fale com a imprensa na segunda-feira às 10H45 GMT.

Entrevistado pelo tabloide alemão Bild, Varoufakis disse que a chanceler Angela Merkel tem a "chave" para resolver a crise.

"Os chefes de governo da União Europeia devem agir. Entre eles, Merkel tem, enquanto representante do país mais importante, a chave em suas mãos. Espero que ela a utilize", afirmou o ministro grego, garantindo que seu governo está "aberto às novas propostas" dos credores.

Os mercados financeiros, geralmente propensos a comportamentos muito voláteis, podem reagir mal às transformações de última hora e a segunda-feira se anuncia agitada.

Tanto o presidente francês como a chanceler alemã já convocaram seus gabinetes para reunião na segunda-feira pela manhã a fim de discutir a crise grega.