Grécia defende uso de canhões sonoros para dispersar migrantes

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Carro da polícia patrulha ao longo do rio Evros, a fronteira fluvial da Grécia com a Turquia

O ministro grego de Migrações, Notis Mitarachi, defendeu nesta quarta-feira (9) o uso de canhões sonoros em sua fronteira com a Turquia para dispersar migrantes, uma prática "estranha" e discutível, segundo a comissária europeia Ylva Johansson.

A polícia grega informou na semana passada sobre a implementação de dois canhões sonoros no sul e norte do rio Evros, fronteira com a Turquia e porta de entrada usada por inúmeros migrantes.

"Acho que é uma forma estranha de proteger vossas fronteiras", declarou a comissária europeia de Assuntos Internos Ylva Johansson durante coletiva de imprensa em Bruxelas após a reunião com Mitarachi.

"Não é algo que tenha sido financiado pela Comissão Europeia. E espero que seja conforme os direitos fundamentais, isso deve ser esclarecido", disse a comissária sueca do órgão executivo da União Europeia, que na semana passada expressou sua "preocupação".

A questão desses canhões, que emitem sons de alta intensidade, não foi tratada na reunião com o ministro grego, que falou sobre a situação de cerca de 10.000 solicitantes de asilo que se encontram atualmente nas ilhas gregas e sobre a construção de novos campos para alojá-los.

Questionado sobre esses canhões na coletiva de imprensa conjunta, Mitarachi rejeitou abordar "questões operacionais que cabem à polícia grega".

"A nossa posição é usar tecnologias de forma que não violem o direito internacional" para proteger as fronteiras, afirmou.

"Tudo o que fazemos deve ser eficaz e respeitoso com a normativa europeia", acrescentou, dizendo estar disposto a "fornecer informações de nível técnico".

A polícia grega adquiriu este material ultramoderno após o fluxo de migrantes em fevereiro de 2020 quando o presidente turco Recep Tayyip Erdogan anunciou que deixaria passar os migrantes que queriam chegar na União Europeia.

Essas ferramentas, denunciadas como perigosas por organizações dos direitos humanos, podem emitir um som de até 162 decibéis, enquanto uma conversa normal tem uma média de 60 decibéis e um jato cerca de 120, segundo a emissora televisiva grega Skai.

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