Grafite homenageia jovem negro morto pela polícia ao ter marmita confundida com arma

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Grafite em homenagem a Gabriel Augusto Hoytil Araújo, morto pela polícia em São Paulo
Grafite em homenagem a Gabriel Augusto Hoytil Araújo, morto pela polícia em São Paulo
  • Grafite no Morro do Piolho (zona sul de São Paulo) homenageia jovem morto pela polícia

  • Moradores relataram que policiais teriam confundido a marmita do jovem com uma arma

  • SSP alega que policiais faziam operação contra o tráfico de drogas

Gabriel Hoytil Araújo, jovem negro de 19 anos morto a tiros em uma operação de combate ao tráfico de drogas da Polícia Civil, foi homenageado no Morro do Piolho, na zona sul de São Paulo, com um grafite de seu rosto.

O trabalho é assinado pelo artista Plínio Junior em frente ao local onde Gabriel foi assassinado. Amigos do rapaz e moradores também fez cartazes pedindo justiça. O ato foi organizado pela Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio e pelos Mochileiros de Cristo.

Moradores da região relataram que Gabriel era entregados de comida por aplicativo. O caso gerou comoção em decorrência da foto de uma marmita suja de sangue após os tiros que resultaram na morte de Gabriel, atingido na mandíbula e na coxa esquerda.

Dois agentes à paisana entraram na comunidade se passando por funcionários e uma empresa de internet e teriam confundido a marmita da vítima com uma arma.

O assassinato está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que apreendeu as armas usadas na ação e uma réplica de arma de fogo encontrada no local onde o jovem foi morto.

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) não confirmou a versão de que a marmita teria sido confundida com uma arma. A pasta afirma que houve uma operação no local para combater o tráfico de drogas e que criminosos teriam reagido à ação.

Testemunhas do crime e agentes envolvidos na ocorrência serão ouvidos nos próximos dias, segundo a Polícia Civil. Em nota ao portal UOL, a SSP-SP relacionou a morte do jovem à ação do tráfico de drogas e informou que "criminosos resistiram à ação dos policiais civis, que intervieram".

Contudo, essa versão é contestada por testemunhas ouvidas pelo UOL sob a condição de anonimato, que informaram que o jovem estava sentado em um banco enquanto comia a marmita. Um morador da comunidade disse ter ido ao local do crime após ter ouvido os disparos e negou qualquer tipo de confronto com o tráfico.

Vídeos gravados por moradores mostram que um agente preservava o corpo de Gabriel. Na filmagem, moradores contestam policiais e dizem que o jovem estava desarmado e, ainda assim, foi atingido.

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