Grajaú e Cidade Tiradentes tem 3,5 vezes mais mortos por coronavírus que Moema e Jardim Paulista

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19 April 2020, Brazil, Sao Paulo: A team of nurses is working in the Favela do Paraisopolis to combat the spread of the coronavirus. Local residents have hired the team for a 24-hour deployment. Several people live in the favela in a very confined space, making social distance impossible. Ambulances cannot drive into every corner of the favela - Sao Paulo being one of the states most affected by Covid-19. In Brazil, 38,654 Covid-19 infected people have been confirmed. At least 2462 are reported to have died of the coronavirus. Bolsonaro had recently dismissed his health minister because of differences of opinion over the proper handling of the coronavirus pandemic. He also clashed with the governors of the states of Rio de Janeiro and São Paulo. Photo: Andre Lucas/dpa (Photo by Andre Lucas/picture alliance via Getty Images)
Áreas periféricas da cidade são mais atingidas pela Covid-19 (Foto: Andre Lucas/picture alliance via Getty Images)

Os bairros do Grajaú e Cidade Tiradentes, na cidade de São Paulo, são os distritos da capital paulista com a menor média de idade de morte. No Grajaú, a média de 59 anos, enquanto na Cidade Tiradentes é de 57. Não por coincidência, os distritos também estão entre aqueles com alto número de vítimas da Covid-19. Somados, os bairros têm 460 pessoas mortes por coronavírus.

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Os dados são do Mapa da Desigualdade 2019, da Rede Nossa São Paulo.

Moema e Jardim Paulista são os bairros com a maior idade média do morrer, com 81 anos e 80 anos respectivamente, e estão entre os locais com menos mortes por Covid-19. O coronavírus deixou 130 mortos nesses locais, 3,5 vezes menos que no Grajaú e em Cidade Tiradentes.

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Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, afirma que o indicador da idade média ao morrer traduz a precariedade de um determinado território. “Por trás desse indicador há uma desigualdade muito grande de renda, de acesso à saúde, à educação, de habitação precária, de estrutura, esgoto, de homicídio jovem. A idade média ao morrer traduz a precariedade de um determinado território”, afirma.

Abrahão ainda aponta que, com a chegada do novo coronavírus, as desigualdades sociais ficaram ainda mais escancaradas. Ele explica que, na Europa, a população mais atingida foi a idosa, enquanto, no Brasil, o endereço é um marcador importante. “O endereço traduz essa desigualdade estruturante que a gente tem. O Covid se aproveita da fragilidade, que em determinados espaços pode ser a idade e, em outros, pode ser esse ambiente em que as pessoas vivem”, explica.

Na última pesquisa “Viver em São Paulo: Especial Pandemia – o que pensam os paulistanos sobre os impactos do coronavírus”, feito pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope Inteligência, 87% dos entrevistados defender que é urgente investir na redução de desigualdades. “É como se a gente tivesse gerado uma consciência abrupta muito rápida do que já existir na nossa sociedade”, aponta.

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O caminho, na opinião de Jorge Abrahão, é usar a política. É preciso que a sociedade participe e conduza as tomadas de decisão de onde as autoridades vão investir. Para começar a alterar o sistema de desigualdades, explica, é mudar as prioridades do investimento, ou seja, usar mais recursos públicos em áreas que precisam melhorar saúde, educação, habitação e infraestrutura. Para o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, é uma questão de ter visão de médio e longo prazo.

QUESTÃO RACIAL

O Mapa da Desigualdade mostra que a população negra é ainda mais vulnerável. No Grajaú, que tem a segunda menor idade média de morte, a maior parte dos moradores são negros, 57%. No Jardim Ângela, 60% da população é negra. Somados, os bairros têm 507 mortes por Covid-19.

Em Moema, onde apenas 6% dos moradores são negros, e Alto de Pinheiros, com 8%, são 110 mortes pela doença. Na análise da Rede Nossa São Paulo, com base nesses dados, é possível afirmar que a população negra é mais afetada pela doença.

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