Grampo a familiares de Adriano da Nóbrega estava suspenso em encontro com Fabrício Queiroz

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Flavio Bolsonaro ao lado do ex-assessor Fabricio Queiroz - Foto: Reprodução
Flavio Bolsonaro ao lado do ex-assessor Fabricio Queiroz - Foto: Reprodução
  • Familiares de Adriano da Nóbrega se encontrar com Fabrício Queiroz e com o advogado de Flávio Bolsonaro

  • Pessoas próximas ao miliciano tinham telefones grampeados, mas, na época do encontro, monitoramento estava inativo

  • Fabrício Queiroz era amigo de Adriano da Nóbrega; os dois serviram no mesmo batalhão

Durante junho de 2019 e fevereiro de 2020, familiares do miliciano Adriano da Nóbrega eram monitorados por telefone. O grampo telefônico foi interrompido apenas durante 28 dias, mesmo período em que ex-assessores de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), se encontraram com pessoas próximas a Adriano. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo.

A Operação Gárgula mirava a lavagem de dinheiro e toda a estrutura de fuga do miliciano. Por isso, pessoas ligadas a ele estavam sendo monitoradas.

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Nos dias 3 e 4 de dezembro, quando o grampo não estava funcionando, a mãe de Adriano da Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, se encontrou com Fabrício Queiroz. Ambos já foram assessores de Flávio Bolsonaro durante a vida política do senador.

Segundo a investigação, o encontro aconteceu no interior de Minas Gerais e teve também a presença de Márcia Aguiar, mulher de Queiroz, e Luis Botto Mata, advogado de Flávio.

De acordo com a Folha, o celular de Márcia foi apreendido e mensagens mostram que o objetivo da reunião era fazer contato com Adriano da Nóbrega. O miliciano estava foragido, acusado de comandar o Escritório do Crime. Há ainda a possibilidade de Júlia Lotuffo, namorada de Adriano, ter participado do encontro.

A investigação ainda revela que Adriano orientou pessoas próximas a ele a manterem telefones exclusivos para entrarem em contato com ele. Entre junho de 2019 e fevereiro de 2020, dezenas de números foram grampeados para tentar encontrar Adriano. O miliciano foi morto em fevereiro de 2020, na Bahia, em uma operação policial.

Segundo a Folha, o encontro em Minas Gerais teria sido um dos motivos para a prisão de Fabrício Queiroz. Ele é apontado como operador do esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) era deputado estadual. A medida foi revogada.

Adriano da Nóbrega e Fabrício Queiroz eram amigos e companheiros de batalhão. A mãe e a ex-mulher de Adriano já estiveram lotadas no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Período sem escuta

A reportagem afirma que houve mais de um período em que o grampo ficou suspenso. No entanto, entre novembro e dezembro foi momento mais longo sem monitoramento. Escutas telefônicas são válidas por 15 dias, por isso, o Ministério Público precisa colocar uma data de começo e fim nas interceptações.

Em 14 de novembro, a polícia sugeriu interromper o grampo de Raimunda, porque poucas informações eram obtidas dessa forma. Ela usava mais mensagens de texto ou voz, que não podem ser monitoradas.

Outro lado

À Folha, a defesa de Queiroz e Márcia não comentou o encontro com Adriano, mas disse que o ex-assessor de Flávio não tem envolvimento com o esquema de rachadinhas.

Já a defesa de Julia Lotuffo negou as acusações contra a namorada de Adriano da Nóbrega.