Grampo da CIA em máquinas anti-espionagem vendidas por empresa suíça durou 20 anos e atingiu Brasil

Alexandra Wey/Keystone via AP

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Grampo americano em máquinas anti-espionagem vendidas por empresa suíça durou 20 anos e atingiu uma centena de países, inclusive o Brasil.

  • Golpe acaba de ser revelado pelo repórter Greg Miller, do The Washington Post.

Um grande golpe acaba de ser revelado pelo repórter Greg Miller, do jornal norte-americano The Washington Post: o do grampo americano que funcionou durante 20 anos e nele estava, como sócio, o serviço de inteligência alemão.

Segundo texto do jornalista Elio Gaspari deste domingo (16), no jornal O Globo, esse foi o maior golpe de um serviço de inteligência durante a Segunda Guerra Mundial, momento em que os ingleses quebraram os códigos alemães valendo-se dos melhores matemáticos do país e de uma equipe que chegou a reunir dez mil pessoas em Bletchley Park.

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Nos anos 1970, afirma Gaspari, a Central Intelligence Agency Americana conseguiu quebrar os códigos de mais de uma centena de países com pouco esforço. Países como Brasil, Argentina, Líbia, Irã e até o Vaticano compravam máquinas codificadoras da empresa suíça Crypto.

Desde 1970, e ao longo de quase 20 anos, a CIA foi simplesmente sócia secreta da Crypto, de modo que as máquinas estavam grampeadas. De um lado os ingleses gastaram milhões de libras para manter sua operação; de outro, a CIA ganhou milhões de dólares com a venda dos equipamentos aos países-clientes.

De acordo com o texto do Washington Post mencionado por Gaspar, o Brasil entrou na lista das vítimas, mas em 1976 o Serviço Nacional de Informações decidiu criar uma operação de criptografia, recrutando professores, militares e diplomatas.

Nessa época, continua, apenas dez pessoas sabiam da existência do projeto, e os equipamentos comprados no exterior eram trazidos como contrabando diplomático. Os técnicos brasileiros disseram que as máquinas suíças eram cavalos de Troia e mostraram onde estavam os furos de suas concepções, decifrando mensagens de outros governos. Após 1978, as máquinas suíças foram desativadas; mais tarde, a operação virou uma estatal, a Prólogo, e em 1981 ela tinha 350 funcionários.

Em 1972, comprovadamente, a Marinha brasileira fez uma compra de US$ 250 mil à Crypto. Um documento da CIA de 1977 revela que o Brasil forneceu máquinas do modelo CX52 da Crypto aos governos da Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai metidos na Operação Condor.

Havia anos que se desconfiava, no mundo da criptografia, que as máquina suíças estavam envenenadas. Em 1982, durante a Guerra das Malvinas, os militares argentinos suspeitaram que suas máquinas estivessem bichadas e interpelaram a Crypto, mas foram engambelados.