Grande retorno de Netanyahu, designado para formar governo em Israel

Benjamin Netanyahu, que liderou as eleições legislativas em Israel junto com seus aliados de extrema direita, recebeu oficialmente, neste domingo (13), o mandato para formar um governo – uma vitória para o ex-primeiro-ministro que havia prometido voltar ao cargo.

Seu governo pode ser o mais à direita da história do país, levantando temores tanto no nível doméstico, quanto internacional.

Há alguns dias, a maioria dos deputados, 64 dos 120 no Parlamento eleito em 1º de novembro, recomendou ao presidente Isaac Herzog que concedesse a Netanyahu o mandato para formar um gabinete.

"Dou-lhe o mandato para formar um governo", declarou o presidente de Israel, Isaac Herzog, ao lado de Netanyahu, em uma entrevista coletiva em Jerusalém.

"Serei o primeiro-ministro de todos, daqueles que votaram em nós e dos outros. É minha responsabilidade", declarou Netanyahu, de 73 anos, prometendo "um governo estável e eficaz, um governo responsável e comprometido".

O líder do partido de direita Likud tem 28 dias para formar seu gabinete, mas pode receber mais 14 dias, se necessário.

Netanyahu está sendo processado por corrupção em uma série de casos, e seu julgamento está em andamento.

Herzog disse "para não se esquecer", nem "minimizar" essas acusações – rejeitadas por Netanyahu – e lembrou que a Suprema Corte já havia autorizado um deputado acusado a formar um governo. Em Israel, o primeiro-ministro não tem imunidade legal, mas não precisa renunciar durante seu julgamento.

- Medo -

No ano passado, foi o primeiro-ministro em final de mandato, o centrista Yair Lapid, que tirou Netanyahu do poder, com uma coalizão muito heterogênea de partidos de direita, centro, esquerda e árabes. Eles se uniram para pôr fim ao reinado do premiê mais perene da história de Israel, no cargo de 1996 a 1999 e de 2009 a 2021.

Após seu fracasso nas eleições legislativas de março de 2021, Netanyahu prometeu "derrubar o governo, assim que surgisse a primeira oportunidade".

Após o anúncio dos resultados das eleições de 1º de novembro, Netanyahu iniciou discussões com seus aliados para distribuir as pastas ministeriais.

O Likud conquistou 32 assentos no Knesset (Parlamento israelense), seus aliados ultraortodoxos, 18, e a aliança Sionismo Religioso, 14, um recorde para a extrema direita. Essa combinação sugere que esse governo pode ser o mais à direita da história do país.

No domingo, Netanyahu assegurou "aos que profetizam catástrofes e assustam o público" que seus "discursos" são "falsos".

Entre os ultraortodoxos, o chefe do partido sefardita Shass, Arieh Dery, fortalecido por suas 11 cadeiras, desejaria o Ministério das Finanças, ou do Interior, segundo a imprensa. Dery foi considerado culpado de fraude em 2021 e já havia sido preso por corrupção.

O Sionismo Religioso quer o Ministério da Defesa para seu chefe, Betzalel Smotrich, enquanto o número dois, Itamar Ben Gvir, prefere o da Segurança Interna.

- "Sem ilusões" -

Em uma entrevista na quinta-feira entre o presidente israelense e o polêmico Ben Gvir, Herzog disse a ele que recebeu "questionamentos de cidadãos israelenses e de líderes mundiais (...) sobre temas sensíveis de direitos humanos".

"Há uma certa imagem de você e de seu partido que parece, e estou lhe dizendo isso honestamente, preocupante de várias maneiras", disse Herzog ao deputado Ben Gvir, conhecido por seus discursos antiárabes.

Após as últimas eleições em Israel, vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, pediram "tolerância" e respeito aos "grupos minoritários".

Do lado palestino, os resultados foram vistos com fatalismo. O primeiro-ministro Mohammed Shtayyeh disse "não ter ilusões de que as eleições israelenses levarão a uma colaboração para a paz".

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