Grande São Paulo retrocede e seis regiões vão para a fase mais rígida da quarentena

João Conrado Kneipp
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People shop along the street "25 de Marco," an outdoor market area, days before a COVID-19 lockdown goes into effect in Sao Paulo, Brazil, Wednesday, Dec. 23, 2020. Only essential business will be allowed to operate from Dec. 25 - 27 and Jan. 1 - 3. (AP Photo/Carla Carniel)
As regras de funcionamento são determinadas pelo Plano São Paulo, programa criado pelo governo que determina as regras de funcionamento dos comércios e serviços na pandemia. (Foto: AP Photo/Carla Carniel)

O governo de São Paulo endureceu a quarentena contra a Covid-19 para a Capital e colocou seis regiões do estado sob as regras da fase vermelha, na qual só funcionam os serviços considerados essenciais. Além disso, as regras da fase vermelha valerão para todo o estado de São Paulo aos finais de semana, e entre as 20h e 6h nos dias úteis.

A Grande São Paulo passa da fase amarela para a laranja, com a proibição do funcionamento de bares. A possibilidade de retrocesso já havia sido levantada na manhã desta sexta-feira (22). As novas regras valem a partir da próxima segunda-feira (25) e terão validade até o dia 7 de fevereiro.

Na atualização divulgada nesta sexta, as regiões de Bauru, Franca, Presidente Prudente, Sorocaba e Taubaté saíram da fase laranja e foram para a vermelha. A região de Barretos passou direto da fase amarela para a vermelha. Marília, que já estava na fase mais restrita, não teve mudança.

Além da Grande São Paulo, foram da fase amarela para a laranja as regiões de Araraquara, São João da Boa Vista, Campinas e Baixada Santista.

Com a nova mudança, 10 regiões ficarão na fase laranja, cerca de 78% da população do estado. Na fase vermelha, estão outras 7, representando 22 dos moradores paulistas.

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Nova atualização do Plano São Paulo divulgada nesta sexta-feira (22), pelo governo João Doria. (Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo/YouTube)
Nova atualização do Plano São Paulo divulgada nesta sexta-feira (22), pelo governo João Doria. (Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo/YouTube)

GABBARDO FALA EM CENÁRIO ‘SOMBRIO’ E FAZ APELO À POPULAÇÃO

O coordenador Executivo do Centro de Contingência da Covid-19, João Gabbardo, afirmou que a previsão para os próximos dias “não é tranquilizadora”.

“O que o Centro de Contingência prevê de cenáro para os próximos dias não é nada tranquilizadora. Muito pelo contrário, são dias muito sombrios. Se não tomarmos as medidas necessárias, em pouco tempo, teremos dificuldade de oferecer leitos de UTI para quem precisa de atendimento intensivo”, afirmou ele.

Para amenizar o impacto do aumento de internações e alta nas taxas das ocupações de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), o governo anunciou 756 novos leitos em hospitais do estado de São Paulo, e a reabertura do Hospital de Campanha de Heliópolis.

Gabbardo também fez um apelo à população para que não aguarde o decreto estadual para cumprir as regras mais rígidas de deslocamento e funcionamento dos comércios.

"Algumas medidas poderão ser implementadas nos próximos dias adicionalmente às que estamos tomando hoje. Se os indicadores não melhorarem, se as pessoas não mudarem o seu comportamento, como por exemplo, não vamos esperar até segunda-feira para começar a cumprir com as medidas hoje anunciadas. A partir de agora as pessoas já devem ter a preocupação de reduzir ao máximo tudo aquilo que pode aumentar a transmissibilidade da doença. Não fiquem esperando decreto. Não fiquem esperando as ordens do governo”, disse.

Na segunda-feira (18), Gorinchteyn afirmou que São Paulo teve, na última semana, seu pior momento até agora no enfrentamento à pandemia. “Essa última semana foi a pior semana epidemiológica na história da pandemia no estado de São Paulo”

O estado apresentou um crescimento de 77% no número de casos da doença, aumento de 59% no número de óbitos e incremento em 28% no número de internações, na comparação dos últimos 7 dias com a última semana de 2020, segundo o secretário.

A explosão de casos, internações e morte ocorreu 14 dias após o ápice das aglomerações promovidas pelas festas de final de ano. E apesar do cenário ruim, especialistas alertam que a situação da pandemia no país ainda pode ficar pior.