Grandes bancos continuam financiando petróleo e gás apesar de compromissos ambientais, denunciam ONGs

As grandes instituições financeiras que integram alianças que dizem querer alcançar a neutralidade de carbono continuam financiando a exploração de petróleo e gás, denunciaram nove ONGs em um estudo publicado nesta terça-feira (17).

Cerca de 550 empresas, com ativos no valor de US$ 150 trilhões, atualmente compõem a Aliança Financeira de Glasgow para a Neutralidade de Carbono (Gfanz, na sigla em inglês). Esta, por sua vez, é articulada em sete alianças setoriais, como bancos, seguros e gestão de ativos.

"Entre a data em que cada banco ingressou na aliança e agosto de 2022, os 56 principais membros da aliança dos bancos para a neutralidade carbônica [Net-Zero Banking Alliance, NZBA] contribuíram com US$ 269 bilhões em empréstimos, títulos ou ações para 102 grandes promotores de combustíveis fósseis", destacaram em seu estudo as ONGs Reclaim Finance, 350.org, BankTrack, Rainforest Action Network, Recommon, Urgewald, Les Amis de la Terre, Sierra Club e Stand Earth.

Na liderança está o banco norte-americano Citigroup, com US$ 30,5 bilhões de dólares de financiamento neste sentido, seguido do Bank of America (US$ 22,8 bilhões) e do japonês MUFG (US$ 22,7 bilhões).

Do lado da gestão de ativos, os 58 principais membros da aliança detinham pelo menos US$ 847 bilhões em ações e títulos de 201 desenvolvedores de energia fóssil, disse o estudo.

"É claro que muito trabalho precisa ser feito para que o mundo invista capital de acordo com a trajetória de +1,5°C", o teto do aquecimento global para o final do século estabelecido no Acordo de Paris de 2015, afirmou um porta-voz da aliança à AFP.

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