Grandes desdenham e pequenos apostam no Carioca para salvar ano

Bruno Marinho
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América e Portuguesa empataram em 1 a 1 pela Seletiva do Estadual

Bruno Henrique talvez não soubesse, ao criar uma das frases que resumem o momento do Flamengo, mas América e Portuguesa também estão em outro patamar. Tudo depende do ponto de vista. Enquanto o rubro-negro desafia a própria relevância do Campeonato Carioca, as duas equipes jogaram ontem mostrando que precisam que o Estadual siga vivo.

Os times fizeram quase uma decisão em Edson Passos. Terminaram empatados em 1 a 1. Jhullian, da Lusa, abriu o placar no primeiro tempo. Nivaldo, do América, deixou tudo igual no segundo e a seletiva embolada a dois jogos do fim.

Ninguém foi embora exatamente feliz. Os torcedores da Portuguesa, menos de 100, reclamaram do pênalti marcado para o time da casa. Os americanos, que levaram quase mil pessoas ao estádio, passaram boa parte do tempo fazendo o que fazem muitas vezes: sendo nostálgicos de uma época em que eram uma pedra no sapato dos quatro grandes.

Os dois primeiros colocados da seletiva garantem um lugar na competição de fato e, consequentemente, ar para respirar. A lógica da sobrevivência dos times menores é simples: só ganha dinheiro, direta e indiretamente, com patrocínios, quem tem jogos transmitidos. E o Estadual é a única chance que possuem de verem a si mesmos na TV.

Mas este ano está tudo mais complicado. O Flamengo ainda não fechou acordo para a transmissão de suas partidas, o que pode afetar todos os outros clubes envolvidos — todos receberão menos se o Flamengo disser “não”. Sem compromisso com receita, o rubro-negro pode dar de ombros para a disputa. Um Estadual sem a audiência e a bilheteria da maior torcida seria uma bomba no colo de quem depende da relevância da competição para sobreviver. Casos de América e Portuguesa.

— Será muito ruim se o Flamengo não levar o Estadual a sério. Com a força que está tendo, afetaria a arrecadação, diminuiria o interesse nos jogos — disse o presidente da Lusa, João Rego.

Ainda que em situação financeira bem menos confortável que a do Flamengo, Botafogo, Fluminense e Vasco também ensaiam um esvaziamento da competição, ao menos no seu início.

O trio não deve começar com os times principais, de olho na pré-temporada. O alvinegro deve poupar titulares nos dois primeiros jogos para disputar amistosos preparatórios. Já o Vasco cogita colocar os titulares na segunda rodada, quando enfrentará o Flamengo. O tricolor, por sua vez, também deve poupar seus jogadores mais importantes na estreia.

Outra coisa em comum entre os três: a necessidade de colocar as mãos nos R$ 15 milhões anuais pela transmissão do Estadual. Diferentemente do que acontece com o Flamengo, eles têm contrato em vigor até 2024. Se o clube rubro-negro fizer valer sua vontade, passará a receber mais também em âmbito regional, o que já acontece no Campeonato Brasileiro.

FATIA MENOR DO BOLO

Na base da pirâmide, América e Portuguesa sonham em se lambuzar com uma fatia bem menor desse bolo. O dinheiro do Estadual permite planejar o ano seguinte com alguma folga. Um bom desempenho na competição pode render uma vaga na Série D e o preenchimento do calendário com jogos durante a temporada inteira — cenário dos sonhos de todo time pequeno do país.

Para Sidney Santana, presidente do América, que não disputa a Primeira Divisão do Estadual desde 2016 e precisa dos milhões do Estadual para sobreviver, não há motivos para alarde:

— Não tenha dúvida de que, no curso da competição, o Carioca ficará charmoso, ainda mais com a presença do América. O Flamengo, mesmo colocando o sub-20, vai querer ganhar.