Grandes empresários brasileiros dizem não querer comprar vacina para funcionários

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***FOTO DE ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19-03-2021: Vacinação em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19-03-2021: Vacinação em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Grandes empresários brasileiros afirmam que não pretendem comprar vacinas para a Covid-19 para que seus funcionários sejam imunizados no momento atual, passando à frente dos grupos prioritários no âmbito do sistema público.

A posição difere de iniciativas de nomes como Luciano Hang e Carlos Wizard, que defendem a possibilidade de compra de vacinas pelo setor privado para imunizar trabalhadores, doando uma parte para o SUS (Sistema Único de Saúde).

"Sou contra. Quem tem que comprar vacina é o Estado. Não pode haver competição", diz Pedro Wongtschowski, acionista e presidente do conselho de administração da Ultrapar.

Wongtschowski afirma que a empresa, que engloba companhias como Posto Ipiranga, Ultragaz e Extrafarma, não pretende comprar vacinas. "As pessoas têm que se vacinar sem preferências ou outras prioridades [no setor privado]", diz ele.

Horácio Lafer Piva, acionista da Klabin, tem opinião semelhante. "Sendo uma pandemia, um evento público, eu advogo que ajudemos com insumos e logística, mas não nos envolvamos em compra e aplicação, exceto esta última usando a rede pública e privada para o ato final", afirma.

Para ele, não faz sentido a proposta de permitir a compra de vacinas contra a Covid-19 pela iniciativa privada para imunização de funcionários, já que apenas as grandes empresas conseguiriam arcar com essa ação. "E o restaurante fechando, o lojista de shopping, a pequena indústria pendurada para não morrer?", questiona Piva.

Outro empresário, ligado ao setor financeiro, que pediu para que seu nome fosse mantido em sigilo, classifica essa possibilidade como uma barbaridade e diz que não vê razão para que empresários se envolvam nisso. Ele afirma que a medida pode desfalcar o governo, devido à escassez de imunizantes no mundo.

Segundo um executivo de um banco, as grandes instituições financeiras não devem comprar vacinas neste primeiro momento. O setor até havia mostrado interesse no começo do ano, mas o assunto perdeu força sobretudo após os fabricantes afirmarem que não venderiam para empresas, apenas para governos.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Guilherme Leal, cofundador da Natura e copresidente do conselho de administração da empresa, disse que a compra pelo setor privado é indecente. "Acho um absurdo furar fila porque a empresa é mais ou menos poderosa em relação a outras tantas empresas que não fazem isso. Não faz sentido nenhum."

Outro empresário, do ramo industrial, que também pediu para não ter seu nome revelado, afirma que não faz sentido entrar em uma briga por vacinas com o SUS.

Na outra ponta, os empresários Luciano Hang e Carlos Wizard defendem poder comprar vacina para imunizar seus funcionários antes do fim do calendário dos grupos prioritários definido no âmbito do SUS.

Eles já tiveram encontros com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, (DEM-MG), e com diversos ministros.

Os dois empresários têm feito lobby pela flexibilização das regras de compra de vacinas por empresas. Pela lei vigente, aprovada em março, até que todos os grupos prioritários sejam vacinados, 100% das doses compradas por particulares devem ser doadas ao SUS. Após a vacina dos grupos prioritários, a obrigação de doação cai para 50%.

Entre os industriais, o assunto também não chegou a um consenso. O presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), Synésio Batista da Costa, diz que não há de quem comprar.

"Esse tema nasceu na Coalizão da Indústria e depois de revezes e mentiras, deixamos o pool. Aí fizeram a lei permitindo doação de 100%, que não estimulou ninguém", afirma ele.

A Coalizão surgiu como alternativa para industriais terem uma interlocução direta com o governo, sem depender de entidades como a Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo). Atualmente, conta com 15 entidades do setor.

O presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria de Plástico), José Ricardo Roriz Coelho, diz que é preciso agilizar o processo. "Estamos sem vacina porque faltou planejamento do governo federal, mas toda ajuda é bem-vinda. Seja do setor público ou privado."

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