Grandes jornais americanos pedem que China reconsidere expulsão de jornalistas

Chefe da redação do New York Times em Pequim, Steven Lee Myers

Os editores dos jornais New York Times, Washington Post e Wall Street Journal pediram nesta terça-feira à China que reconsidere sua ordem de expulsão de 13 jornalistas americanos, argumentando que a ação põe em risco o "acesso a informações" sobre a pandemia mundial do novo coronavírus.

Uma carta conjunta dos três grupos de notícias ao governo chinês aponta que os veículos estão sofrendo "danos colaterais" devido a uma disputa diplomática entre os dois países.

"Esta medida, tomada em retaliação pelas recentes expulsões do governo dos Estados Unidos, é uma que protestaríamos sob quaisquer circunstâncias", diz a carta assinada por William Lewis (do Journal), Fred Ryan (do Post) e AG Sulzberger (do Times).

"Mas [essa decisão] é especialmente prejudicial e imprudente, à medida que o mundo continua lutando para controlar essa doença [coronavírus], uma luta que exigirá o fluxo livre de notícias e informações confiáveis", afirma.

Um total de 13 jornalistas americanos receberam a ordem de devolver suas credenciais às autoridades chinesas e de deixar o país.

No mês passado, a China expulsou três jornalistas do Wall Street Journal depois que o prestigiado jornal publicou um artigo de opinião sobre a crise dos coronavírus com uma manchete que Pequim chamou de racista.

Os Estados Unidos responderam reduzindo o número de acreditações para cidadãos chineses que trabalham para a mídia estatal do país.

A China, com 80.000 casos e 3.277 mortes registradas, é o segundo país do mundo com mais mortes por coronavírus, depois da Itália.