Gravação mantida em segredo mostra agressão a motorista negro por policial branco nos EUA

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GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - "Estou sangrando, eles me bateram na cabeça com uma lanterna", repetia Aaron Larry Bowman, 46, um homem negro, enquanto era agredido por policiais no estado americano de Louisiana em maio de 2019. O motorista recebeu 18 golpes com uma lanterna de alumínio durante 24 segundos após ser abordado em uma batida policial.

As imagens da agressão, gravadas pela câmera portátil de um dos polícias, foram mantidas em segredo por mais de dois anos e só vieram a público nesta quarta-feira (25), após a agência de notícias Associated Press obtê-las. As cenas trazem à memória a violência sofrida por George Floyd em maio de 2020.

Segundo revelou a agência, a Polícia Estadual de Louisiana só passou a investigar o caso depois de decorridos 536 dias desde as agressões. A pressão veio por meio de uma ação civil movida por Bowman, que ficou com múltiplos ferimentos. O motorista teve a mandíbula, três costelas e um pulso quebrados, além de um corte na cabeça.

O policial que o atacou, Jacob Brown, 31, um homem branco, tem extenso histórico de violência. Desde 2015, 23 episódios de abuso de força envolveram seu nome -em 19 deles, os agredidos eram negros.

Em comunicado enviado à AP, a polícia do estado disse que Brown, "envolvido em ações injustificáveis", falhou em relatar o uso da força a seus superiores e "identificou propositalmente de maneira errada" o vídeo da câmera instalada em seu uniforme. Ele pediu demissão.

Além de uma investigação federal, o policial enfrenta acusações estaduais por agressão em segundo grau e má conduta. Também é alvo de outras duas investigações anteriores por agressão a outros motoristas negros. Em um dos casos, Brown se gabou das agressões a um grupo de policiais. "Aquece meu coração saber que poderemos educar esse jovem", disse.

Durante as agressões de maio de 2019, Bowman tentou explicar diversas vezes que era um paciente em diálise e que não tinha feito nada. "Eu não estou lutando contra você, você é que está lutando comigo", dizia o motorista.

Mesmo que as gravações mostrem que ele não resistiu à ação policial, Bowman também enfrenta acusações, entre elas a de agressão a um policial, resistência e infração de trânsito -segundo os relatórios policiais, seu carro foi parado porque ele estava fazendo uso inadequado da pista.

"Fiquei pensando que ia morrer naquela noite", disse o motorista em entrevista à AP. "Não quero que ninguém passe por isso."

Casos semelhantes, envolvendo acobertamento das forças policiais, têm sido frequentes em Louisiana. Três semanas antes do caso de Bowman, outro motorista negro, Ronald Greene, foi espancado e morreu após uma ação policial. O vídeo das agressões também permaneceu sob sigilo, até que foi revelado pela AP em maio.

As cenas de violência vem em um momento de discussão crescente sobre a violência policial nos Estados Unidos. A morte do ex-segurança negro George Floyd, que teve o pescoço prensado pelo ex-policial Derek Chauvin em Minnesota, desencadeou uma onda de protestos massivos ao longo do último ano e inúmeras propostas de reformas legislativas.

A Câmara dos Representantes dos EUA chegou a aprovar, em março, um projeto de lei que proíbe táticas policiais controversas e facilita o caminho para ações judiciais contra agentes que violarem direitos constitucionais de suspeitos. O conteúdo precisa do aval do Senado.

Em uma resposta histórica da Justiça americana, o policial que matou Chauvin foi sentenciado a 22 anos e meio de prisão.

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