Grazi Massafera diz ter orgulho da drogada Larissa, de ‘Verdades secretas’: ‘Acreditei que eu era capaz de fazer algo diferente’

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Quem acompanha a reexibição de “Verdades secretas” na Globo, no horário das 23h, tem visto Larissa, personagem de Grazi Massafera, se afundar cada vez mais no mundo das drogas. Do uso recreativo da cocaína, a loura já está começando a se viciar no crack. A personagem foi determinante para a carreira da artista, que chegou a ser indicada ao Emmy Internacional de Melhor Atriz por seu trabalho impressionante.

— A história dela não tem nenhum paralelo com a minha, eu tenho uma estrutura familiar bem forte. Foi realmente um desafio muito grande passar por todo esse processo, e eu não esperava que isso fosse acontecer de forma tão bonita. A Larissa foi um divisor na carreira e de profissão até. Com ela eu entendi muita coisa da profissão. É um trabalho e uma personagem com uma grande função social e eu acho que as pessoas também receberam dessa forma. Me orgulho disso — afirma Grazi.

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Ela detalha o complexo processo de construção do papel:

— Larissa me levou primeiramente para um processo mais mental, com leituras, li sobre cada processo químico, de cada droga. Primeiro fui estudando, conversei com especialistas, fiz um amplo estudo de imagens de filmes já consagrados, clássicos do tema. Fui até a cracolândia, conversei com os dependentes químicos. Depois fui para o processo corporal, estudar como era a sensação de cada droga no corpo e aí fui explorando o meu corpo, um processo bem exaustivo. Quando me aproximava do resultado, criava a memória corporal. Depois disso é que eu parti para o texto. Foi um processo bem interessante, bem esmiuçado.

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Ao contrário do que muita gente possa imaginar, a atriz conta que o processo de gravação, em si, era “leve e prazeroso”:

— As pessoas não acreditam, acham que foi pesado. Mas, ao contrário, eu já passei por personagens, especialmente as protagonistas, muito mais pesadas. Larissa não tinha o peso da protagonista, eu gravava menos, tinha mais tempo para organizar as cenas, para me concentrar. Os bastidores eram muito bons, os atores eram muito legais. Eu adoro a Marieta (Severo)! A minha caracterizadora, a Dayse Teixeira, é maravilhosa, toda a equipe de direção também, e eu tinha muito contato com os câmeras. Tem um câmera que se chama Marconi e lembro que na época tiveram cenas em que a gente respirava ao mesmo tempo, sabe? Foi incrível demais.

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Grazi diz que só sentiu a repercussão de seu trabalho tempos depois das gravações e que, na época da indicação ao prêmio, a ficha custou a cair.

— A ficha só caiu quando eu estava lá, no dia da cerimônia. Foi muito louco isso. Hoje eu tenho essa indicação como um dos maiores orgulhos da minha carreira. Na época eu estava meio anestesiada, as pessoas falavam e parecia que não era eu, era tão grande que eu não percebia — explica a musa, que deixou toda e qualquer vaidade de lado pelo trabalho: — Acreditei que eu era capaz de fazer algo diferente do que já tinha feito. Sempre creditavam a mim um personagem de acordo com o meu estereótipo. Larissa não é diferente, o meu estereótipo ajudou na construção dela, mas foi a desconstrução que fez com que ela brilhasse.

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Há seis anos, quando a trama de Walcyr Carrasco foi exibida pela primeira vez, Grazi diz que ficava tão concentrada nas gravações que quase não teve contato com o público, para tomar conhecimeto da grande repercussão. E que agora, tendo a oportunidade de assistir ao seu próprio trabalho, analisa com autocrítica, mas sem exageros:

— Vejo uma cena minha e é difícil dizer que está bom, eu sempre vejo algo que eu poderia melhorar. Eu tenho um pensamento, uma estratégia de atleta: assisto a minha performance e vejo o que posso melhorar para as próximas. Já fui de ficar me martirizando, hoje não mais.

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