Greenpeace dispara fogos de artifício em central nuclear na França

Por Camille BOUISSOU
Fogos de artifício disparados pelo Greenpeace em central nuclear de Cattenom, na França

Ativistas ambientais entraram nesta quinta-feira (12) na central nuclear de Cattenom, na Lorena (leste da França), e dispararam fogos de artifício para alertar a vulnerabilidade desses locais, provocando, em particular, a preocupação de Luxemburgo.

A operação foi conduzida por volta das 5h30 da manhã (00h30 no horário de Brasília) por cerca de quinze ativistas da ONG Greenpeace que transmitiram um vídeo que mostra fogos de artifício disparados no interior do perímetro da central, iluminando o céu noturno e as instalações.

O alcance real da operação difere de acordo com as fontes. Greenpeace afirma que esteve perto de um edifício perigoso, enquanto as autoridades excluíram essa possibilidade.

O operador da usina, EDF, confirmou a invasão, afirmando que "foi imediatamente detectada pelas equipes de segurança e o pelotão da gendarmeria os interceptou às 5h45", de acordo com um comunicado de imprensa. Oito minutos após a sua entrada.

As autoridades locais disseram que "o alerta foi imediatamente desencadeado e permitiu que o pelotão especializado interpelasse os ativistas". Os militantes "entraram na parte externa" da central, de acordo com a prefeitura.

"Os intrusos permaneceram fora dos prédios e fora da zona nuclear", de acordo com EDF, que acrescenta que a ação "não teve impacto na segurança das instalações".

O grupo também criticou a atitude "irresponsável" dos militantes que poderia ter tido um resultado trágico.

Uma posição compartilhada por Georges Bos, diretor do gabinete da prefeitura de Moselle, assegurando que "os militantes não se aproximaram de nenhuma parte sensível do sítio nuclear".

- Piscinas de combustível -

Para o Greenpeace, esta operação mostra a vulnerabilidade das centrais de energia nuclear e a um possível ataque terrorista, e mais particularmente das piscinas de combustível irradiado. Um risco já denunciado na terça-feira pela organização ambiental em um estudo de especialistas independentes.

Roger Spautz, ativista da campanha nuclear do Greenpeace Luxemburgo, disse à AFP que o objetivo da operação desta quinta-feira era chamar a atenção para a "fragilidade" dos edifícios com piscinas que não estão protegidas, ao contrário dos edifícios de reatores".

A operação chamou a atenção do governo luxemburguês, país próximo da usina.

"#Stop Cattenom A ação do @Greenpeace_Lux mostra: graves deficiências na segurança da usina de Cattenom. Vamos questionar o ministro (francês do Meio Ambiente Nicolas) Hulot", escreveu a ministra do Meio Ambiente do Grão-Ducado, Carole Dieschburg, no Twitter.

De acordo com o relatório de especialistas encomendado pelo Greenpeace, essas piscinas, que podem conter mais combustível do que os núcleos dos reatores, não são protegidas por caixas de contenção reforçadas.

Então, no caso de evaporação de água, o combustível pode "aquecer e liberar uma grande parte da sua radioatividade para o meio ambiente", de acordo com um desses especialistas, Yves Marignac, diretor da agência de estudo nucleares Wise-Paris.

As consequências de um ataque a uma piscina seriam "potencialmente maiores do que um acidente grave ocorrido em um reator", advertiu. A França possui um total de 63 piscinas de combustível irradiado.

EDF rejeitou as acusações do Greenpeace, garantindo que as centrais francesas são "seguras, bem monitoradas e muito bem protegidas".

Esta é a primeira vez que ativistas da ONG entraram na central de Cattenom.

Oito militantes seguem sob custódia policial, segundo a prefeitura de Moselle e o Greenpeace.