Greta Thunberg é detida após protesto contra mina de carvão na Alemanha

A ativista climática sueca Greta Thunberg foi detida brevemente nesta terça-feira (17), juntamente com outros manifestantes, durante um protesto contra a expansão de uma mina de carvão no oeste da Alemanha, anunciou a polícia.

Em fotos difundidas pela AFP, é possível ver a ativista, vestida de preto, carregada por três policiais perto da cidade de Lützerath.

As pessoas detidas "se separaram da manifestação" e correram para a beira de um poço aberto, segundo a polícia.

Os ativistas foram, então, retirados da "zona de perigo" em ônibus e os agentes verificaram suas identidades antes de liberá-los, disse um porta-voz da instituição.

Eles foram detidos por "várias horas" porque havia muitos manifestantes, explicou o porta-voz, sem dar um número exato de participantes. Em nenhum momento os ativistas foram formalmente presos.

Thunberg, de 20 anos, está na Alemanha há alguns dias para apoiar os manifestantes concentrados em uma cidade abandonada, que se opõem à expansão de uma mina de carvão a céu aberto.

No sábado, uma manifestação reuniu mais de 15.000 pessoas - segundo números da polícia - e terminou em confrontos que deixaram uma dezena de feridos.

"É uma vergonha que o governo alemão chegue a acordos e compromissos com empresas como a RWE", o grupo de energia alemão, criticou a jovem ativista.

- Destruição da cidade -

A cidade, localizada na bacia do Reno - entre Düsseldorf e Colônia - deve desaparecer para permitir a expansão de uma enorme mina de linhito a céu aberto, uma das maiores da Europa, operada pela RWE.

Para evitar isso, cerca de 300 ativistas ocuparam a cidade. Os dois últimos deixaram o local na segunda-feira, após a operação policial de desocupação do acampamento.

Em outubro, o governo alemão, liderado pelo social-democrata Olaf Scholz, assinou um compromisso com a RWE permitindo a destruição da cidade, cujos habitantes foram expropriados há vários anos.

Em troca, a empresa concordou em parar de produzir eletricidade a partir do carvão até 2030, oito anos antes do previsto.

O Executivo considera necessária a expansão da mina para garantir a segurança energética do país após a interrupção de fornecimento de gás russo por causa da guerra na Ucrânia.

Críticos ao plano rejeitam este argumento e alegam que as reservas atuais de linhito são suficientes.

Thunberg abalou o mundo quando tinha apenas 16 anos e foi ao Parlamento sueco todas as sextas-feiras com uma faixa que dizia "Greve escolar pelo clima".

Pouco tempo depois, sua "greve escolar", divulgada nas redes sociais, ultrapassou fronteiras e lançou o movimento global "Sextas pelo Futuro", pedindo ação contra o aquecimento global.

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