Greta Thunberg acusa governo brasileiro de alimentar destruição da Amazônia

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Sixteen-year-old Swedish climate activist Greta Thunberg speaks at the 2019 United Nations Climate Action Summit at U.N. headquarters in New York City, New York, U.S., September 23, 2019. REUTERS/Carlo Allegri
Greta Thunberg fala na ONU, em 2019 (Foto: REUTERS/Carlo Allegri)
  • Ativista falou em evento no Senado sobre Painel do Clima da ONU

  • Jovem alertou também sobre riscos às populações indígenas

  • 'O Brasil não tem desculpas para assumir sua responsabilidade.'

Em audiência pública no Senado nesta sexta-feira (10) a ativista sueca Greta Thunberg, de 18 anos, culpou o governo brasileiro pela devastação da Amazônia. Em sua fala, disse que o país permitiu o aumento do desmatamento e das queimadas a partir de sua política ambiental.

Greta, no entanto, não citou o presidente Jair Bolsonaro, mas classificou como vergonhosas as ações de líderes brasileiros em relação a pautas de meio ambiente e populações indígenas.

"O Brasil não tem desculpas para assumir sua responsabilidade. A Amazônia, os pulmões do mundo, agora está no limite e emitindo mais carbono do que consumindo por causa do desmatamento e das queimadas. Isso está acontecendo enquanto nós assistimos, isso está sendo diretamente alimentado pelo governo. O mundo não pode arcar com o custo de perder a Amazônia", afirmou a ativista.

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O desmatamento e as queimadas da Amazônia crescem de forma alarmante. Em agosto, o bioma teve 28 mil focos de queimadas, que representa o terceiro pior resultado para o mês em 11 anos, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ficando atrás apenas de 2019 e 2020.

Greta também defendeu que as pautas das comunidades indígenas também estão sendo ameaçadas, e que esses são alvo de violência no Brasil e no mundo. "Esses acontecimentos no Brasil têm colocado em risco essa população e a própria Floresta Amazônica", afirmou.

A ativista discursou durante sessão promovida pela Comissão de Meio Ambiente para debater o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU (IPCC, na sigla em inglês).

O IPCC divulgou pela primeira vez uma quantificação do aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos ligados às mudanças climáticas, como furacões, enchentes e ondas de calor.

O Brasil deve esperar, segundo o relatório, um aumento de chuvas fortes na região Centro-Sul, ao mesmo tempo que Nordeste e Amazônia devem sofrer com secas prolongadas. Isso em um cenário de aquecimento global de 4ºC.

Há previsão também de aumento de secas agrícolas e ecológicas para meados do século na região que abrange o Norte, Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste, em um cenário de aquecimento global de 2°C. Com a aridez, é possível também o aumento de incêndios, com impactos para os ecossistemas, a saúde humana, a agricultura e a silvicultura.

Especificamente na Amazônia, o número de dias extremamente quentes - com temperatura superior a 35ºC - deve chegar a 150 dias ao ano até o fim do século, em um cenário de aquecimento global superior a 4ºC, ou de ao menos 60 dias, caso o aquecimento global seja de 2ºC.

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