Greta Thunberg diz que Bolsonaro não leva questão climática a sério após corte de verba para ambiente

O Globo
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RIO — A ativista sueca Greta Thunberg disse neste sábado que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não está "levando a sério" a questão climática a sério, após o governo cortar a verba destinada ao meio ambiente.

Greta, de 18 anos, compartilhou no Twitter uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre o corte orçamental de Bolsonaro, divulgado um dia após suas promessas na Cúpula dos Líderes sobre o Clima sobre dobrar os recursos para combater o desmatamento ilegal.

"'Bolsonaro aprovou um corte de 24% no orçamento ambiental para 2021 em comparação ao nível do ano anterior apenas um dia após prometer aumentar os gastos no combate ao desmatamente'. Opa... é quase como se nossos 'líderes climáticos' não estivessem levando isso a sério.", escreveu Greta.

Em seu discurso na cúpula, na quinta-feira, Bolsonaro prometeu duplicar o orçamento de órgãos ambientais destinado a ações de fiscalização, como parte do esforço para acabar com o desmatamento ilegal até 2030, o que é um objetivo assumido pelo Brasil em 2015 no Acordo de Paris.

— Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa (zerar desmatamento). Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais do governo, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização.

No entanto, como publicou o Blog da Malu Gaspar, na sexta-feira, um levantamento do Instituto Nacional de Orçamentos Públicos sobre as rubricas da peça orçamentária mostrou que o corte de recursos no Ministério do Meio Ambiente foi de R$ 240 milhões, ou 35% do total programado inicialmente para a pasta a título de despesas discricionárias. Até verba carimbada para o combate ao desmatamento foi vítima da tesoura.

Essa não foi a primeira crítica de Greta a Bolsonaro. Na segunda-feira, a ativista afirmara que o presidente falhou em tomar medidas necessárias para "proteger as presentes e futuras condições de vida para a humanidade" durantee uma coletiva da Organização Mundial da Saúde (OMS), da qual ela fora convidada.

Anteriormente, em dezembro de 2019, o presidente brasileiro chamou Greta de "pirralha", após a ativista sueca ter dito em uma rede social que "os povos indígenas estão literalmente sendo assassinados por tentar proteger a floresta do desmatamento ilegal" e que é "vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso". Na ocasião, ela reagira a morte de dois indígenas guajajara no Maranhão.