Greve afeta parte das linhas do Metrô e pega paulistano de surpresa nesta quarta (19)

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SÃO PAULO, SP, 19.05.2021: GREVE-METRÔ-SP - Movimentação na estação Brás da CPTM, onde faz baldeação para o metrô - A quarta-feira (19) começou com quatro linhas do Metrô de São Paulo paradas por causa de uma greve decidida pelo Sindicato dos Metroviários na noite de terça (18). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 19.05.2021: GREVE-METRÔ-SP - Movimentação na estação Brás da CPTM, onde faz baldeação para o metrô - A quarta-feira (19) começou com quatro linhas do Metrô de São Paulo paradas por causa de uma greve decidida pelo Sindicato dos Metroviários na noite de terça (18). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As estações de quatro linhas do Metrô de São Paulo não abriram, na madrugada desta quarta-feira (19), por causa da greve dos metroviários, e pegou os paulistanos de surpresa.

A paralisação afetou as linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermelha e 15-prata (monotrilho), onde trabalham cerca de 7.200 metroviários. O movimento grevista não fechou as linhas 4-amarela e 5-lilás, que são privatizadas e operam normalmente.

As composições só começaram a circular parcialmente por volta das 6h55, pouco mais de duas horas do início habital da operação do sistema de transporte sobre trilhos paulistano, às 4h40.

Segundo o Metrô, os trechos que iniciaram operação são os entre as estações Ana Rosa e Luz, na linha 1-azul; entre Alto do Ipiranga e Clínicas, da linha 2-verde; e entre Bresser-Mooca e Santa Cecília, na linha 3-vermelha. Não há previsão de operação no monotrilho da linha 15. Às 18h30, a operação continuava parcial, apenas nesses trechos.

Pela manhã, entre as 8h e as 13h, e depois das 18h30, a cidade teve congestionamento de carros acima da média, segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Às 19h15, a cidade tinha 46 km de lentidão.

A Prefeitura informou, às 10h30, que o rodízio de veículos está suspenso nesta quarta-feira em função da paralisação dos metroviários. Assim, fica liberada a circulação de veículos leves no centro expandido desde a 0h desta quarta.

Como o rodízio tem acompanhado o toque de recolher imposto pelas normas do Plano São Paulo, também está liberada a circulação automóveis entre as 21h desta quarta e às 5h de quinta (20). O rodízio de caminhões permanece normal.

Liminar do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho) determina a manutenção de 80% dos serviços nos horários de maior movimento, das 6h às 10h e das 16h às 20h, e 60% nos demais horários, sob pena de aplicação de multa diária ao sindicato de R$ 100 mil. A paralisação está prevista para durar 24 horas, segundo o Sindicato dos Metroviários.

De acordo com o Metrô, ônibus da operação Paese, que farão o mesmo trajeto das linhas, estão disponíveis nas estações. Serão 88 coletivos na linha azul, 40 na linha verde, 75 na linha vermelha e 15 no monotrilho.

Na estação Corinthians-Itaquera, da linha 3-vermelha, muitos passageiros não sabiam da paralisação. “Não ouvi nada dessa greve. Tenho que ir para o centro e nem dá pra embarcar no trem também”, disse a diarista Maria do Carmo Oliveira, 34 anos.

Como a estação é operada pelo Metrô, os passageiros que queriam usar a linha 11 da CPTM, como alternativa, só puderam fazê-lo às 5h30, quando o acesso foi liberado. Longas filas se formaram para o embarque nos trens.

O lixador Adriano Crestoni, 43, resolveu esperar na estação para ver se o Metrô iniciava a operação. “Tinha que entrar às 7h, mas não vou conseguir chegar na Barra Funda”, diz.

Já a auxiliar de escritório Vanessa Fernandes, 26, resolveu embarcar no trem da CPTM para chegar ao Brás. “Vou ter que encarar o trem superlotado, em plena pandemia. Seja o que Deus quiser.”

Funcionárias de uma farmácia em Higienópolis (região central), Alessandra Silva de Souza, 27, e Angélica Oliveira, 37, recorreram a um carro de aplicativo para conseguir chegar ao trabalho. “A gente é serviço essencial e não pode parar”, disse Souza.

Auxiliar de enfermagem, Keyze Lais Lourenço Gregório, 23, tentava achar uma alternativa para chegar ao hospital em que trabalha, na Bela Vista (região central).

“Não adianta eu tentar ir com o Paese, porque vai chegar no centro e não conseguirei fazer a baldeação na linha azul. Sem falar que o trecho do metrô que está funcionando vai estar mais lotado do que de costume. Parece que acabou a pandemia.”

Já o casal Alicia Anunciação, 22, e Leonardo Soares, 27, embarcaram nos ônibus do Paese com a filha de 5 anos. “A gente trabalha como vendedor no Brás e o ônibus passa por lá. Espero que metrô volte a funcionar para a gente voltar para casa”, disse Alicia.

Em outras estações, passageiros reclamam da falta de orientação sobre alternativas de transportes e criticam a greve pelo tumulto e aglomeração provocados durante a pandemia da Covid-19.

Na estação Jabaquara, da linha 1-Azul, na zona sul de São Paulo, um grupo de estudantes apoiava a greve dos metroviários com faixas e bandeiras.

Mesmo após a barreira de parte das estações, passageiros ainda tentavam arrumar uma forma de chegar aos seus destinos. Na estação Bresser-Mooca da linha 3-vermelha, a primeira aberta no sentido de maior fluxo no horário de pico, o movimento era grande por volta das 9h.

Quem vinha com os ônibus do Paese desembarcava e seguia o trajeto de metrô. O programador Alexandre Almeida, 33, deslocaria de metrô pela linha vermelha, Faria baldeação na azul e seguiria até a Ana Rosa, de onde terminaria o trajeto com um carro de aplicativo. “É o único jeito de chegar até o cliente. Tomara que não demore”, disse.

Já a comissária de bordo Alexia Vilela, 25, embarcou na estação Paulista, da linha 4-amarela, que não foi afetada pela greve, e ao fazer a baldeação na Luz, descobriu que não poderia seguir até o Tucuruvi (zona norte de SP). “Vim até a Bresser de metrô, vou pegar um Uber até o Belém e de lá um ônibus para chegar à casa da minha tia. Tenho que levar ela para se vacinar contra o coronavírus”, disse

A greve foi convocada após a gestão João Doria (PSDB) não aparecer na audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho. A reunião havia sido marcada para esta terça.

Os metroviários dizem estar sem reajuste há pelo menos dois anos. "A categoria luta contra a precarização do trabalho, retirada de direitos e arrocho salarial", diz o sindicato.

Em nota, o Metrô afirma que "fez uma proposta de acordo salarial aos seus empregados muito acima do que é praticado no mercado de trabalho e previsto na legislação trabalhista" e citou que a liminar do TRT-SP determina a manutenção de 80% dos trabalhadores no horário de pico.

Em entrevista à Globo, na manhã desta quarta, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, disse que haverá punição caso a liminar do TRT-SP para funcionamento parcial do Metrô continue a não ser cumprida. Ele afirmou que o governo de São Paulo aportou recursos durante a pandemia para a manutenção do transporte metroviário e dos empregos na companhia.

Coordenador do Sindicato dos Metroviários, Wagner Fajardo disse que espera um contato do governo com uma alternativa para a volta ao trabalho. Ele afirmou também que o tribunal ainda não julgou a greve e que a falta de empatia com a população é do governo e não da categoria.

IMPASSE

Entre as principais reivindicações dos metroviários estão o reajuste salarial de aproximadamente 10%, referente à inflação acumulada dos últimos dois anos, e a manutenção de direitos como os adicionais noturnos de 50% e de férias de 70% sobre o salário.

Na audiência conciliatória desta segunda (17), o MPT (Ministério Público do Trabalho) propôs, entre outros pontos, reajuste salarial de 9,7% em três parcelas, sendo a primeira em maio de 2021, a segunda em janeiro de 2022 e a terceira em maio de 2022, adicional noturno de 40% até dezembro de 2021, com retorno ao patamar atual em janeiro de 2022.

O Metrô recusou e ofereceu reajuste salarial de 2,61%, não retroativo, a partir de 1º de janeiro de 2022, pagamento da segunda parcela da PR (Participação nos Resultados) somente em 31 de janeiro de 2022 e mediante “formalização de acordo que contemple as condições e critérios do valor a ser pago”.

Além da disputa salarial, o sindicato também está brigando com o governo contra a venda do terreno onde fica a sede da entidade.

O governo marcou para o próximo dia 28 a abertura dos envelopes com propostas para compra do terreno onde o prédio do sindicato está instalado, na zona leste da cidade, entre as estações Carrão e Tatuapé da linha 3-vermelha do Metrô.

O terreno foi cedido pelo governo de São Paulo por comodato (empréstimo) ao sindicato no fim dos anos 1980, e a categoria inaugurou um prédio no local em 1991, conta Wagner Fajardo, coordenador da entidade.

No final de abril deste ano, no entanto, o governo Doria abriu licitação para vender o terreno e pediu a desocupação do local em até 60 dias.

O sindicato afirma que a venda tem motivações políticas, uma vez que a categoria critica as privatizações e concessões feitas pelo governo.

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