Greve de ônibus em SP: funcionários de mercado caminham 2h a pé na madrugada

Motoristas de ônibus aprovaram greve para esta terça-feira (14). Foto: REUTERS/Rahel Patrasso
Motoristas de ônibus aprovaram greve para esta terça-feira (14). Foto: REUTERS/Rahel Patrasso
  • Paralisação deve durar 24 horas

  • Secretaria de Transportes diz que operação de trens foi ampliada

  • Greve de ônibus pede reajuste salarial de motoristas

Nesta terça-feira (14), os motoristas de ônibus da cidade de São Paulo entraram em greve e devem permanecer paralisados por 24 horas. Sem transporte, muitos trabalhadores precisaram improvisar para se locomover. Um grupo de funcionários de um mercado na região de Interlagos conta que eles precisaram caminhar por duas horas de madrugada para achar um coletivo.

Eles saíram às 3h30 do trabalho e só chegaram ao terminal Santo Amaro por volta das 6h.

"Então vai ser o maior rolê, porque somos de Parelheiros, na Zona Sul. Íamos pegar o terminal Varginha. O jeito vai ser ver se tem algum ônibus, senão vamos ter que ir andando para casa", disse o auxiliar de limpeza Richard Ribeiro da Silva ao portal G1. O trajeto entre Parelheiros e o trabalho do grupo é de cerca de 19 km.

"Estamos sofrendo um pouquinho né. Vida de pobre é assim, é difícil. Melhor garantir o pão de amanhã, que o de ontem já passou", lamentou Ryan Carmo, outro funcionário do mercado.

"Queima ônibus, tira ônibus [de circulação], mas para a gente não muda nada porque a gente vai continuar sendo aquele pobre que tem que pagar passagem", completou Richard.

Greve por reajuste

Os motoristas pararam após a proposta do sindicato dos motoristas (SindiMotoristas) de um reajuste de 12,47% foi rejeitada. A proposta de reajuste tem como base índices de inflação. Os trabalhadores também têm outras demandas, como a hora de almoço remunerada.

“A princípio o setor patronal insistiu em oferecer apenas 10% de reajuste e ainda de modo parcelado. Agora, ofereceram os 12,47%, mas apenas a partir de outubro, o que é inadmissível”, disse o presidente do sindicato, Valmir Santana da Paz.

Uma decisão liminar obriga que 80% da frota de ônibus funcione nos horários de pico - das 6h às 9h e das 16h às 19h. No restante do dia, 60% dos veículos devem circular.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos disse que colocaram todos os trens em circulação e ampliaram o horário de pico, por conta da greve. O Metrô, a CPTM, a ViaQuatro e a ViaMobilidade colocaram os trens reservas em operação em todas as linhas. A EMTU também poderá dar apoio.

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