Greve de funcionários de limpeza obriga Guarulhos a optar por aulas remotas

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 11.11.2020 - O prefeito de Guarulhos, Gustavo Henric Costa (PSD), conhecido como Guti. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 11.11.2020 - O prefeito de Guarulhos, Gustavo Henric Costa (PSD), conhecido como Guti. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A greve deflagrada por funcionários de uma empresa prestadora de serviços da prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo, que tem entre suas atribuições a higiene em escolas municipais da cidade, fez com que a gestão municipal suspendesse aulas presenciais em 60% de sua rede nesta segunda-feira (20).

A greve é motivada contra a iminente extinção da empresa Proguaru (Progresso e Desenvolvimento de Guarulhos), pela própria prefeitura, que detém parte da empresa em parceria com a iniciativa privada. Com o fechamento, a estimativa é que cerca de 5.000 pessoas fiquem desempregadas.

"Considerando que a rede municipal de ensino de Guarulhos ainda está em atendimento 100% híbrido com atividades presenciais e atividades remotas, 60% das unidades escolares optaram pelo ensino remoto nesta segunda-feira (20)". Segundo a prefeitura, tal decisão foi tomada "a fim de resguardar preventivamente os alunos, profissionais e a comunidade escolar, nos casos em que a unidade não disponha de funcionários para realizar a higienização e a limpeza dos espaços".

Questionada sobre os alunos atingidos, o órgão municipal disse que "realiza o atendimento de crianças nas etapas da educação infantil (de 0 a 3 anos e 11 meses), ensino fundamental (de 6 a 11 anos) e o Eja (educação de jovens e adultos) -a partir de 15 anos".

Em nota, a gestão do prefeito Gustavo Henric Costa, o Guti (PSD), afirmou que a extinção "é necessária e lastreada por parecer elaborado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica), que comprovou a grave crise financeira, a inviabilidade de recuperação econômica e da continuidade da prestação de serviços pela empresa".

Ainda segundo a prefeitura, "com a iminente falência da empresa, a extinção neste momento visa a garantia dos direitos a todos os trabalhadores". Na mesma nota, a prefeitura alegou que a Câmara Municipal aprovou, em dezembro, processo do Executivo de extinção da Proguaru.

Além da limpeza nas escolas, a Proguaru tem como suas atribuições, junto à prefeitura, os serviços de limpeza urbana, obras, agentes de portaria e recicladores.

Contra o encerramento, uma parte dos cerca de 4.700 funcionários da Proguaru protestou pela cidade desde as primeiras horas da manhã. Ao Agora, o assistente administrativo da empresa e um dos membros da comissão dos trabalhadores da Proguaru, Raul Campos Nascimento, pontuou que a iniciativa de extinção está atrelada a uma "visão política.

"O que a gente acha é que vai gerar impactos de aumento da carestia na cidade, o pauperismo, com perspectiva de até gente morando na rua ou alguma coisa do gênero. O panorama é de caos social."

Em seu site, o Stap (Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública de Guarulhos) informou que a greve deve prosseguir nesta terça-feira (21), "uma vez que não houve acordo na audiência na tarde desta segunda no Tribunal Regional do Trabalho".

Procurado, o Tribunal Regional do Trabalho informou que uma nova audiências entre as partes, inclusive com convite para o comparecimento do prefeito, está prevista para ocorrer às 14h da próxima quinta-feira (23).

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