Greve de motoristas afeta 6.500 ônibus de 713 linhas em São Paulo

SÃO PAULO, SP, 14.06.2022 – GREVE-SP - Motoristas de ônibus e cobradores decidiram entrar em greve depois de não conseguir acordo por aumento de salários, em São Paulo, SP, na manhã desta terça-feira (14). Usuários em ponto de ônibus na avenida Engenheiro Caetano Alvares, Casa Verde, na zona norte. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 14.06.2022 – GREVE-SP - Motoristas de ônibus e cobradores decidiram entrar em greve depois de não conseguir acordo por aumento de salários, em São Paulo, SP, na manhã desta terça-feira (14). Usuários em ponto de ônibus na avenida Engenheiro Caetano Alvares, Casa Verde, na zona norte. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A greve de motoristas e cobradores iniciada nesta terça (14) em São Paulo atingiu pela manhã ao menos 6.500 ônibus de 713 linhas da capital, segundo a SPTrans, empresa ligada à prefeitura que administra o transporte público municipal. Ao todo, 15 viações foram afetadas.

De acordo com a SPTrans, a greve afeta cerca de 1,5 milhão de pessoas que necessitam de ônibus na cidade. Pegos de surpresa, passageiros se aglomeraram em pontos de ônibus na tentativa de ir ao trabalho. Muitos reclamavam de falta de informação e enfrentavam coletivos lotados.

O rodízio de carros foi suspenso, e o preço dos aplicativos de transporte disparou.

Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), 100% dos ônibus estruturais, ou seja, que fazem a ligação entre bairro e centro, estavam parados na manhã desta terça. Linhas locais, que circulam entre bairros, funcionaram, segundo constatou a reportagem em duas regiões, na Casa Verde, zona norte, e em Santo Amaro, zona sul.

A categoria começou paralisação à meia-noite, após não conseguir acordo em reunião de conciliação no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) entre o SindMotoristas (Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo) e o SPUrbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo).

A partir das 4h, a operação em todas as garagens dos grupos estrutural e de articulação regional foi interrompida. No Terminal Grajaú, na zona sul da capital, manifestantes usaram dois ônibus para interromper temporariamente o fluxo de veículos.

Tanto a prefeitura quanto o SPUrbanus encaminharam à Justiça pedido de antecipação do julgamento do dissídio para a tarde desta terça-feira. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, por enquanto ela está marcada para esta quarta (15), às 15h.

O SindMotoristas afirmou que não havia sido informado sobre a medida. "Estamos há meses buscando o diálogo, apresentando as reivindicações da categoria e tentando de todas as formas convencer os patrões a oferecerem um reajuste equivalente ao índice da inflação e eles foram irredutíveis", afirmou o presidente em exercício do sindicato, Valmir Santana da Paz, o Sorriso.

"Depois de muita luta, propuseram o reajuste apenas a partir de outubro, o que não é aceitável." Os trabalhadores querem que sejam corrigidos os salários a partir de 1º maio, que é a data-base.

As negociações salariais dos trabalhadores em transporte rodoviário de São Paulo começaram em março. A proposta do SindMotoristas é um reajuste salarial de 12,47%, referente ao índice do INPC/IBGE, entre outras reivindicações, como 100% das horas extras, fim da hora de almoço não remunerada e pagamento PLR (participação nos lucros e resultados), mas não houve concordância.

"As negociações estavam em bom andamento, com reuniões e discussões que se estenderam até a noite do dia 13. Apesar de as empresas darem o índice de correção dos salários reivindicado, os empregados se mostraram irredutíveis em continuar as negociações", afirmou a SPUrbanuss.

Na ação, a SPTrans lembra de liminar da Justiça do Trabalho, do último dia 31 de maio, obrigando a manutenção de operação de 80% da frota no horário de pico e 60% nos demais horários, sob pena de multa diáriaq de R$ 50 mil. E diz que houve desrespeito à decisão, "paralisando em 100% o sistema de transporte do sistema estrutural e articulação regional de ônibus do município, que corresponde a mais de 50% do sistema de ônibus da capital".

"A SPTrans já solicitou à Justiça a execução imediata da multa já aplicada, afirma a empresa, em nota.

Entre ações para tentar diminuir os efeitos da greve em São Paulo, a SPTrans afirmou que no Terminal Campo Limpo, na zona sul, 12 linhas de ônibus estão sendo estendidas até a Vila Sônia, onde os passageiros podem realizar a integração com o metrô.

"As 11 linhas que vão até o terminal Vila Nova Cachoeirinha [zona norte] estão levando os passageiros até o metrô Barra Funda", afirma. "Ônibus estão realizando o transporte de passageiros entre os terminais Varginha e Grajaú [zona sul], onde é possível fazer a conexão com a linha 9-esmeralda da CPTM [Companhia Paulista de Trens Metropolitanos]."

COMO ESTÁ A OPERAÇÃO NAS EMPRESAS

Com linhas paradas

Santa Brígida (zona norte)

Gato Preto (zona norte)

Sambaíba (zona norte)

Express (zona leste)

Viação Metrópole (zona leste)

Ambiental (zona leste)

Via Sudeste (zona sudeste)

Campo Belo (zona sul)

Viação Grajaú (zona sul)

Gatusa (zona sul)

KBPX (zona sul)

MobiBrasil (zona sul)

Viação Metrópole (zona sul)

Transppass (zona oeste)

Gato Preto (zona oeste)

Operando normalmente

Norte Buss (zona norte)

Spencer (zona norte)

Transunião (zona leste)

UPBUS (zona leste)

Pêssego (zona leste)

Allibus (zona leste)

Transunião (zona sudeste)

MoveBuss (zona leste)

A2 Transportes (zona sul)

Transwolff (zona sul)

Transcap (zona oeste)

Alfa Rodobus (zona oeste)

Tereza Araújo, 56, esperava com mais cerca de 30 pessoas em um ponto de ônibus na avenida Engenheiro Antônio Caetano Álvares, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. Por volta das 6h20 desta terça-feira, ela sabia que seria um longo dia.

Os poucos ônibus passavam lotados. Ela iria para o terminal Barra Funda, na zona oeste, e de lá veria como chegar à empresa onde trabalha na rua Estados Unidos, também na zona oeste.

O vigia Cícero Andrade dos Santos, 56, estava no mesmo ponto e tentava voltar para casa de seu primeiro dia de trabalho em um posto de combustíveis ali perto. E ainda iria demorar para descansar.

Quando conseguisse embarcar em um ônibus, Santos iria pegar o metrô na Barra Funda até Itaquera, na zona leste, e de lá tentaria encontrar mais duas conduções até sua casa, em São Mateus, na mesma região.

A falta de informação era a maior reclamação dos passageiros que chegavam ao terminal Casa Verde na manhã desta terca.

Luis Felipe do Amaral, 63, se preveniu e pegou o carro para buscar uma funcionária na zona norte e levá-la à empresa de suprimentos onde trabalham na Lapa, zona oeste. "Passou sobre a greve na TV e combinei com ela."

APLICATIVOS CAROS

A greve também pesou no bolso de quem tentou pegar um carro de aplicativo para chegar ao trabalho. A atendente de telemarketing Tanara Garibaldi, 18, depois de tentar achar, em vão, uma van de lotação no entorno do terminal Santo Amaro, na zona sul, decidiu usar o aplicativo.

"Tenho que estar às 9h na minha mesa", afirmou, sobre a missão que dificilmente iria cumprir, já que passava das 8h40 quando um motorista aceitou a corrida –levaria mais seis minutos para chegar até ali.

"Vou pagar R$ 30 por uma corrida que não vai levar 20 minutos", disse, sobre o trajeto até a Chácara Santo Antônio, onde trabalha.

Em um grupo de aplicativos de transporte, o recado era claro: "O dinâmico está fervendo".

Funcionária no escritório de uma empresa de chocolate no Brooklin, na zona sul, Ariane Santos, 27, convenceu o chefe a ir buscá-la depois de 40 minutos de espera por um carro de aplicativo, sem que nenhum motorista tivesse aceitado a corrida.

Já Julio César Marinho Costa aguardava dentro do terminal instruções do chefe para saber o que fazer para chegar ao trabalho na avenida Presidente Juscelino Kubitschek, na região do Itaim Bibi. Para justificar o atraso, ele fez uma selfie dos pontos de ônibus vazios.

De minuto em minuto, um recado sonoro informava os passageiros sobre a greve e que apenas alguns ônibus estavam chegando e saindo do terminal.

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